Você é Um Belo Desastre
Ela o conheceu numa noite em que a cidade parecia suspensa no ar, como se houvesse um segredo por trás de cada luz acesa nas janelas. Não esperava nada, não buscava ninguém, mas havia algo nele que a prendeu de imediato — não o rosto, não a voz, mas aquela sensação de que tudo ao redor estava prestes a desmoronar. Ele era intensidade. Falava como quem inventava mundos, tocava como quem quebrava vidros. Não havia meio-termo: ou se afundava nele, ou fugia. Ela escolheu afundar. Os dias seguintes foram um turbilhão. Riam alto demais, brigavam por nada, faziam as pazes como se fosse a última vez. Ele a conduzia a lugares onde nunca estivera dentro de si mesma: vertigens, corredores secretos, fendas escondidas. Cada beijo parecia um abismo, cada silêncio, um terremoto. Ela sabia — desde o início sabia — que havia algo de perigoso. Ele não cabia em mapas, não respeitava fronteiras, ria das regras como quem rasga papéis inúteis. Era impossível contê-lo. E no entanto, havia beleza. Uma...