Amanheceres de Lausanne

 Tenho assistido a muitos amanheceres aqui em Lausanne. Morando no quarto andar, de frente para o Léman e para as montanhas, percebo um privilégio raro: o céu não se esconde atrás de prédios gigantescos como em São Paulo, onde é preciso se contorcer para encontrar um fiapo de azul. Aqui, basta abrir a janela — e o horizonte inteiro me responde.

Os dias começam com cores que parecem ter sido inventadas apenas para este pedaço do mundo. Às vezes douradas, às vezes azuis profundas, outras vezes um cinza suave que anuncia silêncio. É nesse espetáculo que a vida se infiltra em mim, mesmo quando chega acompanhada de saudade.

Há um fio de dor, sim, mas também um sopro de alívio: o amanhecer não me pede nada, apenas me oferece. E eu aceito, inteira, o que ele traz. Porque nesses instantes compreendo que, apesar de tudo, sigo recebendo a dádiva da vida.

 

Silvia Marchiori Buss

 

 

 

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