Respeito Tuas Lágrimas
A praça ainda guardava o frio da madrugada. Os primeiros raios de sol atravessavam os galhos da velha árvore e desenhavam manchas de luz sobre o banco de madeira. Alguns passavam apressados. Outros diminuíam o passo apenas para sentir a sombra antes de seguir. Ela chegou quando a cidade já estava desperta. Sentou-se como quem conhece aquele banco havia muito tempo. Não trazia livro, celular nem sacolas. Apenas uma bolsa pequena, repousada ao lado, e um silêncio que parecia ocupar mais espaço do que seu próprio corpo. Ficou olhando o movimento. Um casal empurrava um carrinho de bebê. Um senhor caminhava com um cachorro que insistia em farejar cada canteiro. Dois adolescentes riam alto, como se o mundo lhes devesse muitos anos iguais àquele. A mulher acompanhava tudo com os olhos, mas estava longe dali. Quando a primeira lágrima escorreu, ela não fez esforço para escondê-la. Apenas deixou que seguisse seu caminho. Depois veio outra. E outra. Na mesma hora, uma folha des...