Sentimentos Que Se Entrelaçam
Naquela rua onde as árvores pareciam inclinar os galhos umas em direção às outras, como quem compartilha segredos antigos, viviam pessoas que desconheciam o quanto habitavam a vida umas das outras. Dona Celina acordava cedo todos os dias. Regava as flores da varanda, varria a calçada e observava o movimento da rua despertar lentamente. Guardava dentro de si uma espera antiga. Não esperava alguém. Esperava sentir novamente que ainda ocupava um lugar na lembrança de alguém. Do outro lado da rua, Augusto passava as manhãs sentado em um banco da praça. Levava um livro debaixo do braço, mas raramente lia uma página inteira. Preferia observar as pessoas. Via rostos, gestos, silêncios, e imaginava as histórias que cada um carregava. Talvez porque a sua própria história ainda tivesse capítulos que ele não conseguia compreender. Mais adiante, Ana caminhava todos os dias para o trabalho. Cumprimentava os vizinhos, sorria para os conhecidos e nunca chegava atrasada. Havia, porém, uma tris...