Na Alegria e na Tristeza
O dia do casamento amanheceu com uma luz quase indecisa, como se o céu também hesitasse diante do que viria. Na igreja, as flores tentavam organizar a beleza, e havia um cuidado excessivo em cada detalhe — o véu alinhado, os bancos ocupados por expectativas, o padre repetindo com serenidade palavras antigas que atravessaram gerações. “Na alegria e na tristeza” não soava como promessa difícil naquele instante; era apenas uma sequência natural de sons, acolhida por quem acredita que o amor, uma vez declarado diante de testemunhas e de Deus, encontra sozinho o caminho de permanecer. Ele a observava como quem tenta guardar uma paisagem antes que a noite caia. Havia nela uma tranquilidade que não parecia ensaiada, um modo de segurar o próprio nome quando o padre o pronunciou, como se já o tivesse dito muitas vezes em silêncio. Quando respondeu “sim”, não houve tremor — e isso, naquele dia, foi tomado como força. A vida, depois, se encarregou de desfazer a ideia de que as promessas camin...