Nossos Dias Cinzentos
Quando os dias ficavam cinzentos, Teresa abria a janela mesmo sem vontade. Não esperava que o sol aparecesse. Era apenas um hábito antigo, desses que permanecem quando tantas outras coisas já foram embora. O céu tinha uma cor só. As árvores da rua pareciam mais quietas. Até o padeiro, que sempre cumprimentava os vizinhos, falava mais baixo. Ela nunca acreditou que a tristeza viesse apenas das perdas. Às vezes ela chegava sem motivo claro. Instalava-se na casa como a poeira fina que se acomoda sobre os móveis. A gente passa um pano, vive normalmente, mas sabe que ela continua voltando. Numa dessas manhãs, encontrou uma caixa de fotografias enquanto procurava uma toalha. Sentou-se no chão e foi olhando uma por uma. Havia aniversários, viagens, uma festa de escola, um cachorro que já nem lembrava o nome. Em algumas fotos, tentou descobrir o que fazia aquelas pessoas parecerem tão leves. Não encontrou resposta. Guardou tudo de novo. Nem sempre as lembranças servem para matar a sa...