Essas Mulheres Encantadoras
Naquela terça-feira chovia fino, daquele jeito que não molha direito nem vai embora. O toldo da cafeteria pingava num balde de plástico colocado ali sem muita esperança de resolver o problema. O barulho era ritmado: uma gota, outra, depois duas juntas. Helena estava sentada perto da janela. Não esperava ninguém, mas também não parecia alguém que estivesse sozinha. Havia uma calma estranha no modo como ela segurava a xícara. Não bebia. Apenas deixava o café esfriar enquanto olhava a rua. As pessoas passavam rápido, como quem tem medo de perder alguma coisa que ainda não aconteceu. Helena tinha aprendido a não correr mais atrás de nada. Do outro lado da rua, uma mulher hesitou antes de atravessar. Parecia decidir se entrava ou se continuava caminhando. Acabou entrando. Ela sacudiu o guarda-chuva na porta, pediu um café curto e procurou lugar para sentar. Não havia mesas livres. Exceto a de Helena. — Posso? Helena levantou os olhos como se já soubesse. — Claro. A...