O Tempo das Romãs
A romãzeira ficava no fundo do quintal. Não era a árvore mais bonita da rua. Também não fazia uma sombra daquelas que convidam para uma rede. Durante boa parte do ano passava despercebida. Só quando começavam a aparecer as flores e, mais tarde, as romãs, é que alguém comentava: — Este ano carregou bastante. Lúcia morava naquela casa havia quase quarenta anos. Quando chegou, o quintal era quase vazio. Plantou roseiras, uma jabuticabeira que nunca foi muito generosa e um canteiro de temperos. A romãzeira já estava ali. O antigo dono disse que era velha e produzia todos os anos. Produzia mesmo. Nunca faltaram romãs. Os filhos cresceram correndo entre as árvores. O cachorro costumava dormir perto do muro. O marido vivia dizendo que precisava podar alguns galhos, mas sempre encontrava outra coisa para fazer. Os anos passaram desse jeito. Sem muito alarde. Depois que ele morreu, a casa ficou grande demais para uma pessoa só. Os filhos começaram a insistir na mudança. — ...