Entre Lençóis
A noite havia chegado devagar, como se também soubesse que algumas coisas não deveriam ser apressadas. No quarto, apenas a luz amarelada do abajur atravessava a penumbra. A janela permanecia entreaberta, deixando entrar o perfume úmido da noite e um vento leve que fazia a cortina se mover. Ela estava deitada, coberta até a cintura pelo lençol branco. Não dormia. Ele entrou sem fazer barulho. Por alguns segundos, ficaram apenas se olhando. Havia naquele silêncio tudo o que já tinham dito e, sobretudo, aquilo que nunca precisaram dizer. Ele se aproximou da cama. — Ainda acordada? Ela sorriu. — Estava esperando você. Ele sentou-se ao lado dela e passou os dedos lentamente por seus cabelos. Um gesto simples, quase inocente, mas que fez seu corpo inteiro se lembrar de outras noites, de outros abraços, de uma intimidade que o tempo não havia conseguido apagar. Ela segurou sua mão e a levou aos lábios. Foi quando ele percebeu que ainda a desejava com a mesma intensidad...