Metáforas Da Casa Que Sabia Respirar
Havia uma casa antiga no fim de uma rua tranquila. Não era bonita nem feia. Era apenas uma dessas casas que parecem guardar mais silêncios do que móveis. As janelas passavam dias fechadas. O relógio da parede ainda marcava as horas, mas ninguém sabia dizer se era ele quem acompanhava o tempo ou se era o tempo que insistia em visitar aquele relógio. Todas as manhãs, uma mulher varria a varanda. Fazia isso com o mesmo cuidado de quem penteia uma lembrança. As folhas voltavam no dia seguinte, como se as árvores escrevessem cartas que o vento nunca deixava chegar ao destinatário. Ela não brigava com as folhas. Apenas as recolhia. Dentro da casa havia uma cristaleira. Os copos permaneciam alinhados havia anos. Pareciam soldados que sobreviveram a uma guerra sem nunca terem saído do lugar. Às vezes, ela abria uma das janelas. O ar entrava devagar, desconfiado, como um visitante que bate à porta de alguém que não vê há muito tempo. E a casa mudava um pouco. As cortinas se mexiam...