A Temperatura do Teu Toque
Ela andava distraída pelas ruas de Mônaco, olhando as vitrines sem realmente enxergá-las, quando sentiu uma mão pousar em seu ombro. Não se virou imediatamente. Havia algo naquele toque que lhe atravessou o corpo antes mesmo que pudesse pensar. A temperatura da mão. A pressão delicada dos dedos. Uma intimidade que o tempo não conseguira apagar. Era ele. Não havia dúvidas. Reconheceria aquela mão em qualquer lugar do mundo. Virou-se devagar, com o coração desobedecendo à idade, à razão e a tudo o que aprendera sobre as ausências. Ele estava ali. Com aquele sorriso que conhecia tão bem, o mesmo que tantas vezes a esperara do outro lado da mesa do café, que a encontrara no meio de uma conversa e que, durante quase cinquenta anos, lhe dissera tantas coisas sem precisar de palavras. Ela não perguntou como. Não quis saber de onde viera, nem por que demorara tanto. Apenas o olhou, tentando guardar cada detalhe daquele rosto que a memória insistia em devolver, embora já não pudes...