Vamos Ver o Que a Vida Nos Reserva
Eva andava em volta do novo namorado como quem aprende de novo a caminhar depois de muito tempo parada. Não era exatamente amor ainda. Era uma espécie de incêndio tranquilo. Ela ria mais do que de costume. Tocava o próprio cabelo sem perceber. Às vezes passava diante de um vidro qualquer — vitrine, porta, espelho esquecido — e se olhava com surpresa, como se estivesse reencontrando uma mulher que havia ficado guardada em alguma gaveta da vida. Sentia-se desejada. E esse sentimento tinha uma força antiga. Como uma maré que retorna. Caminhavam perto da água naquele fim de tarde. Eva tirou os sapatos e deixou os pés entrarem no mar raso. A água fria subia pelos tornozelos enquanto o vento desarrumava seus cabelos. Ela tinha os pés na água. E a cabeça em fogo. O namorado falava qualquer coisa — histórias, planos, frases soltas — mas Eva escutava apenas metade. A outra metade dela estava longe, vagando por um céu imaginário onde tudo parecia possível. Sua cabeça andava n...