A Vida Depois do Horário Comercial
Quando era jovem, Augusto acreditava que a vida adulta começava em algum lugar muito específico. Talvez no primeiro salário. Talvez na compra da casa própria. Talvez no dia em que alguém o chamasse de senhor sem hesitar. Mas os anos foram passando e nenhuma dessas coisas aconteceu exatamente como ele imaginava. Recebeu o primeiro salário e continuou se sentindo o mesmo rapaz que esquecia onde havia deixado as chaves. Comprou uma casa e descobriu que telhados envelhecem, canos estouram e paredes criam rachaduras tão naturalmente quanto as pessoas criam rugas. Passou a ser chamado de senhor e, por dentro, continuava se surpreendendo ao se ver refletido nos espelhos. A verdade é que ninguém lhe contou que a vida adulta não chega de uma vez. Ela vai ocupando espaço aos poucos. Primeiro uma conta para pagar. Depois uma decisão que ninguém pode tomar por você. Mais tarde, a descoberta de que existem perguntas sem respostas e que, mesmo assim, a manhã seguinte continua c...