A Vida, Segundo Clarice Lispector
Falar sobre a vida, a partir de Clarice Lispector, é entrar num território onde as respostas nem sempre existem, onde as perguntas nos acompanham por muito tempo e onde sentir, muitas vezes, dói mais do que gostaríamos. Clarice não escrevia para explicar a vida. Escrevia para chegar mais perto dela. E, quanto mais se aproximava, mais descobria que viver é também conviver com aquilo que não compreendemos. Em seus romances, contos e crônicas, encontramos personagens que pensam demais, que sentem profundamente, que se interrogam sobre quem são e sobre o que fazem neste mundo. Pessoas aparentemente comuns, envolvidas nas tarefas de cada dia, mas que, de repente, diante de um gesto, de uma palavra ou de um silêncio, descobrem que há muito mais dentro delas do que imaginavam. Clarice nos mostra que pensar é uma forma de mergulho. Não aquele pensamento organizado, que procura respostas prontas, mas o pensamento que nos desacomoda, que nos obriga a olhar para dentro e reconhecer ...