Depois da Ceia
Depois da ceia, quando todos já tinham ido embora e a casa finalmente ficou em silêncio, Clara percebeu uma coisa estranha: a mesa continuava posta. Não havia pratos sujos, nem copos pela metade, nem farelos de pão sobre a toalha. Tudo permanecia exatamente como estava antes da primeira taça ser servida. Até as velas continuavam acesas, com suas pequenas chamas imóveis, como se o tempo tivesse esquecido de passar naquela sala. Clara se aproximou da janela. Do lado de fora, a rua havia desaparecido. No lugar das casas, dos postes e dos carros estacionados, havia um campo imenso, coberto por uma espécie de grama azulada que brilhava sob uma lua enorme. Árvores muito altas se moviam sem vento. E, ao longe, pequenas luzes passeavam pelo céu como se alguém tivesse soltado milhares de lanternas. Ela abriu a porta. Não sentiu frio. Nem medo. Apenas uma vontade inexplicável de continuar andando. O campo terminava diante de uma cidade que não tinha ruas. As pessoas caminhava...