O Que Não é Maleável Quebra
Há coisas que nascem com a pretensão de durar para sempre. Não por força, mas por rigidez. Como se permanecer fosse sinônimo de não ceder, de não dobrar, de não escutar o movimento do mundo. Ela pensava assim — sem dizer em voz alta, mas vivendo como quem sustenta uma linha invisível dentro do peito. Gostava das certezas bem alinhadas, das respostas prontas, dos gestos que não mudam de direção. Havia um certo conforto em saber exatamente onde colocar os pés, mesmo quando o chão já não era o mesmo. Foi assim nas relações. Amou como quem constrói uma casa de paredes muito firmes. Bonita, por fora. Segura, aparentemente. Mas sem janelas largas o suficiente para o vento entrar. Sem espaço para que o outro pudesse, às vezes, ser diferente do que se esperava. E o mundo, como sempre faz, não pediu licença. Mudou os horários, os humores, os afetos. Trouxe silêncios onde antes havia palavras. Aproximou distâncias que pareciam definitivas e afastou presenças que pareciam eternas. Nada vi...