Sessão de Terapia
A cadeira era macia demais para quem não queria afundar. Ainda assim, ela se acomodava como quem aceita um acordo silencioso: ficar ali por cinquenta minutos e não fugir de si mesma — pelo menos não completamente. — Pode começar quando quiser — disse a terapeuta, com aquela voz que não empurrava nem puxava, apenas deixava. Ela olhou para as mãos. Sempre começava por elas, como se fossem outro corpo, menos comprometido com o que doía. — Eu não sei exatamente o que dizer. E havia verdade nisso, mas também um cansaço antigo de saber demais e não conseguir organizar nada em palavras. As frases vinham como móveis arrastados dentro da cabeça, fazendo barulho, sem nunca se encaixarem no lugar certo. O relógio na parede não fazia som, mas ela sentia o tempo passando como um líquido lento, espesso, quase visível. Pensou em quantas vezes já tinha estado ali, repetindo versões diferentes da mesma ausência. — Minha casa é silenciosa — disse, por fim. A terapeuta a olhou, incentivando...