Quando Batemos à Porta do Céu
Clara tinha uma teoria sobre o céu. Dizia que ele não ficava acima das nuvens, tampouco depois das montanhas. Estava espalhado pelo mundo, em pequenos territórios que as pessoas visitavam sem saber. Uma mesa rodeada de amigos, uma estação de trem onde alguém espera por outro alguém, uma música ouvida pelo coração e faz o corpo tremer... uma luz que atravessa uma sala e muda a expressão de quem a percebe. Henrique achava graça. Era um homem de poucas teorias e muitas perguntas. Gostava de observar as pessoas, especialmente aquelas que pareciam carregar uma alegria sem fazer esforço para escondê-la. — Tu romantizas demais a vida, Clara. — E tu a observas de longe demais, Henrique. Tinham essa diferença. Ela entrava nas coisas; ele gostava de examiná-las antes. Naquela cidade, havia um edifício antigo, de fachada azul-claro, onde funcionava uma espécie de clube sem nome. Não era exatamente um clube. As pessoas chegavam, algumas conhecidas, outras não, sentavam-se onde havia lu...