A Lua Que Parecia Sol
Às duas da madrugada, a praça estava iluminada como uma manhã de verão. Não havia postes acesos nem refletores ligados. A claridade vinha do céu. Quem saiu à rua primeiro ficou parado, sem entender. Acima dos telhados, pairava uma esfera dourada tão intensa que fazia as sombras se esconderem debaixo dos bancos, das árvores e das marquises. Era a lua. Ou pelo menos ocupava o lugar onde a lua deveria estar. As portas começaram a se abrir. Surgiram pessoas de roupão, de chinelos, com os cabelos ainda marcados pelo travesseiro. Algumas apontavam para o céu. Outras apenas observavam, como quem teme quebrar um encanto ao dizer qualquer palavra. Os cachorros latiam sem descanso. Um ou outro galo arriscava um canto confuso. Nos jardins, flores acostumadas à escuridão abriram as pétalas antes da hora. A cidade levou algum tempo para aceitar o que via. Aquela não era uma lua mais brilhante que o normal. Parecia um sol perdido no meio da noite. As horas passaram devagar. Nin...