Os Dias Que Se Repetiam
Naquela terça-feira, Helena acordou às 6h17. Não era uma terça-feira qualquer. Ela sabia disso porque o rádio, antes mesmo de o locutor dizer bom-dia, anunciou a temperatura: dezenove graus. Depois veio a música que ela não gostava, aquela em que uma mulher cantava sobre voltar para casa. Helena desligou o rádio. Na cozinha, encontrou uma xícara sobre a mesa. Não era a sua. Era uma xícara branca, pequena, com uma lasca na borda. Dentro havia café ainda morno. Ela ficou olhando. Morava sozinha havia onze anos. Jogou o café fora, lavou a xícara e não pensou mais no assunto. Às 8h40, saiu para o trabalho. Na esquina, um homem de camisa azul deixou cair uma pasta cheia de papéis. Helena ajudou a recolhê-los. Um dos papéis tinha uma fotografia de uma menina de vestido amarelo. — Obrigado — disse o homem. — Não há de quê. Às 12h15, no restaurante de sempre, o garçom colocou diante dela o prato errado. — Filé com batatas — disse ele. — Eu pedi peixe. O ...