A Casa das Janelas Tortas
Diziam que aquela era a casa mais estranha da rua. As janelas não eram alinhadas. Algumas fechavam mal, outras deixavam entrar vento mesmo quando estavam trancadas. O telhado carregava marcas do tempo, e a pintura descascada denunciava anos de chuva, calor e tempestades. Ainda assim, havia flores na varanda. Quem morava ali era Aurora, uma mulher que já colecionara mais despedidas do que aniversários. Perdera sonhos, amores, oportunidades e pessoas que julgava insubstituíveis. Em alguns períodos da vida, acreditou que a felicidade fosse um endereço reservado aos outros. Certa tarde, uma jovem que passava pela rua perguntou: — A senhora nunca pensou em reformar essa casa? Aurora sorriu. — Pensei muitas vezes. — E por que não fez? Ela olhou para as paredes irregulares. — Porque cada rachadura me ensinou alguma coisa. A moça não entendeu. Aurora apontou para uma marca escura próxima à porta. — Ali foi o ano em que perdi meu marido. Depois indicou uma janela emp...