Saiu à Francesa
Há pessoas que atravessam a vida fazendo muito barulho. Outras, não. Trabalham, constroem, amam, erram, recomeçam e, quando se vão, deixam um silêncio que pesa mais do que qualquer discurso. Alberto era assim. Começou pequeno. O primeiro escritório cabia numa sala emprestada, os primeiros sonhos, num bolso apertado. Trabalhou mais horas do que contou, perdeu noites, ganhou respeito. Nunca fez questão de ser o homem mais conhecido da cidade; preferia ser aquele em quem se podia confiar. A empresa cresceu. Vieram funcionários, clientes, viagens, contratos. Vieram também as contas, as preocupações e as alegrias miúdas que só quem constrói conhece. Em casa, criou os filhos sem manual. Ensinou mais pelo exemplo do que pelas palavras. Mostrou que compromisso não se anuncia, se cumpre. Nunca foi de falar de si. Quando elogiavam seu sucesso, desviava a conversa. Achava que a vida seguia em frente rápido demais para perder tempo admirando o próprio caminho. Envelheceu sem perc...