Falando Com as Estrelas
Naquela noite, Ludmila não procurava respostas. A idade lhe ensinara que elas costumam chegar quando já não são tão necessárias. Sentou-se na varanda com uma manta sobre os ombros. A cidade se espalhava em pequenas luzes pelas colinas. Acima dela, o céu exibia sua antiga coleção de estrelas. Havia quem falasse com santos. Havia quem falasse com fotografias. Ludmila falava com as estrelas. Não porque acreditasse que elas respondiam. Gostava apenas da sensação de poder dizer qualquer coisa sem ser interrompida. Durante a vida inteira, acumulou perguntas. Por que algumas pessoas partem cedo? Por que certos amores permanecem mesmo quando já não têm presença? Por que a memória guarda o cheiro de uma tarde distante e esquece fatos acontecidos ontem? As estrelas nunca responderam. Ainda assim, ela voltava. Naquela noite, falou de coisas simples. Contou que o ipê da rua florescia menos do que antigamente. Que as crianças do bairro haviam crescido. Que os rostos ...