O Brilho dos Outros
Durante muito tempo, Selminha acreditou que não tinha brilho. Não dizia isso para ninguém. Guardava aquela impressão como quem guarda uma fotografia antiga dentro de um livro. Estava lá, entre as páginas dos dias, aparecendo de vez em quando. Via brilho em toda parte. Na amiga que chegava a uma festa e logo reunia gente ao redor. Na irmã que parecia saber exatamente o que fazer da vida. Na vizinha que estudava, viajava, aprendia coisas novas e tinha sempre uma história interessante para contar. Selminha admirava essas pessoas. E, sem perceber, colocava-se um degrau abaixo delas. Afinal, o que tinha para mostrar? Levava uma vida comum. Criou filhos, trabalhou durante anos, ajudou os pais quando envelheceram, acompanhou amigos em momentos difíceis, fez bolos para aniversários, cuidou de plantas, acolheu visitas inesperadas, ofereceu café e escutou desabafos. Mas aquilo lhe parecia apenas a vida acontecendo. Nada que merecesse destaque. Nada que pudesse ser cha...