Sob o "Cabo do Medo"
Desde pequena, Sofia carregava um medo que não cabia no tamanho de seu corpo. Enquanto outras crianças temiam trovões, escuro ou monstros escondidos sob a cama, ela tinha medo das despedidas. Medo de perder quem amava. Medo de que a mãe demorasse demais para voltar do mercado. Medo de que o pai não retornasse de uma viagem. Medo de que os avós, tão velhos aos seus olhos de menina, desaparecessem durante a noite. Ninguém entendia completamente. Ela mesma não entendia. Às vezes acordava assustada e caminhava pela casa em silêncio apenas para ouvir a respiração das pessoas dormindo. Era uma forma de conferir se o mundo continuava no lugar. Os anos passaram. Sofia cresceu, estudou, trabalhou, apaixonou-se. Mas os medos cresceram junto com ela. Aprendeu a escondê-los sob sorrisos educados e uma aparente independência. Tornou-se aquela mulher que resolvia problemas, organizava a vida de todos, cuidava dos amigos, dos filhos e dos pais. Quem a observava de fora via força. Por ...