La Belle de Jour - A Bela do Dia
Ninguém ali parecia saber exatamente o que aquilo queria dizer, e talvez por isso repetiam. Soava bem na boca, escorria com uma elegância que não exigia explicação. Foi assim que passaram a chamá-la. Ela chegou ao hotel numa tarde que não se comprometia com nada — nem sol, nem chuva, apenas uma claridade suspensa, como se o dia ainda estivesse decidindo se valia a pena acontecer. Trouxe uma mala pequena demais para quem dizia não saber quanto tempo ficaria. Não pediu ajuda. Também não explicou. O recepcionista tentou confirmar a reserva. — Nome? Ela hesitou o tempo de um gesto que quase acontece. — Pode deixar assim — disse, apontando para o livro aberto sobre o balcão, como se o próprio papel resolvesse. E resolveu. Escreveram ali: La belle de jour. O quarto ficava no terceiro andar, de frente para um pátio interno onde nada de fato acontecia, mas tudo parecia estar prestes a acontecer. Havia uma cadeira junto à janela, dessas que convidam o corpo a permanecer mesmo quan...