Aprender a Caber no Inacabado
Ela não entendia quando diziam que o luto era diferente para cada pessoa. Parecia uma frase pronta, dessas que se dizem para preencher o silêncio quando não há o que dizer. Dor, pensava ela, era dor. Perder era perder. Como poderia caber diferença em algo que rasga do mesmo jeito? No começo, tudo parecia igual para todos: o susto, o corpo que não acredita, o gesto automático de procurar quem já não está. A casa muda de lugar, mesmo sem sair do lugar. Os objetos permanecem, mas perdem a função de antes — viram lembranças pousadas sobre a superfície das coisas. Mas depois… depois o tempo começa a se comportar de maneiras estranhas. Há quem chore todos os dias, como se cada manhã reabrisse a perda. Há quem não chore nunca, como se o corpo tivesse escolhido endurecer para não desmoronar. Há quem fale o nome em voz alta, para manter vivo. E há quem não consiga pronunciá-lo, como se o nome ainda ferisse. Ela começou a perceber que o luto não é uma estrada. É um terren...