Quando o Amor Traz Dor
Amor também estraga. Essa frase parece quase uma heresia, porque nos ensinaram a falar do amor como quem fala de uma coisa sagrada. Como se amar fosse sempre bonito, generoso, redentor. Não é. Às vezes, amar é uma péssima ideia. A gente entrega a alguém o lugar exato onde pode ser ferido. E ainda chama isso de confiança. Foi assim com ela. Durante muito tempo, acreditou que o pior do amor era perdê-lo. Depois descobriu que não. O pior podia ser continuar amando alguém que já não estava ali para receber aquilo. Era uma espécie de desperdício. Amor sobrando dentro de uma pessoa. Ela tinha raiva disso. Raiva das músicas que insistiam em transformar ausência em poesia. Raiva das fotografias. Raiva das lembranças que chegavam sem serem convidadas e ocupavam a mesa, a cama, o domingo. Até das coisas boas ela tinha raiva. Porque tudo podia virar prova de que aquilo existira. E existira. Esse era o problema. Não havia como apagar uma história apenas porque ela ter...