A Cidade Nem Tão Maravilhosa
Dizem que algumas cidades nasceram para encantar. Têm avenidas largas, árvores antigas, cafés cheios, praças onde o tempo parece andar mais devagar. E há aquelas cuja beleza começou antes mesmo das casas: montanhas desenhando o horizonte, ora nítidas, ora escondidas por uma névoa fina; o mar se abrindo adiante, mudando de cor conforme o céu, azul nas manhãs claras, cinzento nos dias de chuva, dourado quando a tarde começa a cair. Entre as curvas dos morros, o movimento das águas e a luz pousada sobre os telhados, a cidade se oferece inteira aos olhos, como se soubesse o quanto é bonita. Talvez seja mesmo. Mas as cidades nunca são apenas ruas, prédios, montanhas ou mar. São também as pessoas que as habitam dentro de nós. Desde que você partiu, ela perdeu um pouco da sua vocação para a beleza. O sol continua encontrando as fachadas pela manhã. As montanhas ainda recortam o céu, firmes e silenciosas. O mar permanece ali, respirando em ondas, recebendo barcos, devolvend...