A Velocidade do Amor
Eram muito jovens quando decidiram assistir a uma corrida em San Marino. Para ele, era quase uma peregrinação. Gostava de motores, de curvas fechadas, do cheiro de combustível e daquele instante em que os carros pareciam desafiar as leis da natureza. Ela gostava de acompanhá-lo. Talvez porque, naquela época, ainda estivesse descobrindo que algumas paixões acabam se tornando nossas também. San Marino os recebeu com sua beleza de outros tempos. As ruas de pedra, as torres medievais erguidas sobre o Monte Titano, as pequenas praças, as casas antigas e, ao longe, uma paisagem que parecia não ter pressa. Havia qualquer coisa de encantador naquele lugar, onde a história permanecia nas paredes e a vida seguia pelas ruas estreitas. Ele, entretanto, tinha pressa. Não a pressa de chegar a algum lugar, mas aquela de quem queria experimentar tudo. Na arquibancada, acompanhava cada ultrapassagem com os olhos brilhando. Explicava detalhes dos motores, apontava os pilotos, antecipava as curvas....