Leve Como Um Anjo
Quando um anjo abre as asas, o peso deixa de ser uma medida. Nas alturas, até aquilo que na terra parece impossível de carregar encontra um jeito de flutuar. As nuvens não perguntam quanto pesa um corpo. Apenas o recebem. Alguns amores comecem assim. Sem gravidade. A gente entra neles como quem sobe devagar para um lugar onde as coisas parecem mais fáceis. O outro chega sem fazer barulho e, de repente, há uma mão que encontra a nossa, uma voz que parece conhecer o caminho, uma presença que torna o mundo menos áspero. Sissa e Paulo tiveram esse começo. Durante algum tempo, viveram como se o chão estivesse muito distante. Havia domingos compridos, café tomado sem pressa, pequenas viagens, risadas no carro, planos escritos em guardanapos. Havia também os silêncios, mas eram silêncios confortáveis, desses que não exigem explicação. Ela achava bonito quando ele dormia. Ele gostava de vê-la escrevendo. Penso que o amor seja feito também dessas coisas que ninguém conta: a ...