A Vida Passou Por Aqui
Rosa encontrou a caixa quando procurava outra coisa. Era uma daquelas caixas de papelão reforçado que sobrevivem a mudanças, reformas, nascimentos, despedidas. Na tampa, escrito com uma caneta já desbotada, apenas duas palavras: Rosa e Edmundo. Sorriu sem perceber. Sentou-se no chão da sala e abriu. Em cima de tudo havia um mapa de estrada dobrado tantas vezes que já não obedecia às mãos. Depois vieram recibos de hotéis simples, ingressos de cinema, uma concha trazida de uma praia qualquer, um guardanapo com o nome de um restaurante onde haviam prometido voltar. Nunca voltaram. Também apareceu uma fotografia em que os dois riam de alguma coisa que ninguém mais seria capaz de explicar. Não era uma pose bonita. Ela estava com os cabelos bagunçados pelo vento. Ele tinha os olhos quase fechados de tanto rir. Era justamente por isso que era bonita. Rosa foi colocando cada lembrança sobre o tapete. Ali estava a vida. Não os grandes acontecimentos que costumam aparecer nos...