A Lentidão das Coisas Vivas
O caminho não levava exatamente a lugar nenhum que pudesse ser nomeado. Era mais um intervalo entre pontos — uma faixa de terra batida que atravessava o campo como quem aceita passar sem permanecer. Ela o percorria com frequência suficiente para que o corpo já soubesse onde pisar, mas nunca a ponto de torná-lo hábito. Havia sempre um leve estranhamento, como se o campo mudasse de intenção a cada dia. Naquela manhã, o ar ainda guardava um resto de frio. Não o frio que afasta, mas o que se infiltra devagar pelas roupas, pedindo atenção ao próprio movimento. O sol estava presente, mas não se impunha — espalhava-se em camadas finas, como quem prefere tocar do que iluminar. Ela parou antes da curva. Ali, onde a terra se abria um pouco e deixava ver a extensão irregular do terreno, havia uma árvore. Não particularmente grande, nem bonita no sentido fácil. O tronco inclinado, os galhos mais baixos carregando marcas antigas — cortes, talvez, ou apenas o desgaste de estações repetidas. ...