Os Domingos Também Podem Ser Assim...
Às dez da manhã, ela ainda estava de pijama. Não havia pressa. Ninguém chegaria para o almoço, ninguém telefonaria perguntando a que horas a mesa estaria posta, ninguém precisava saber o que ela faria naquele dia. Abriu a geladeira. Havia meio mamão, dois ovos, um pedaço de queijo e uma garrafa de vinho aberta desde a quinta-feira. — Dá para o domingo — disse, falando sozinha. E deu. Comeu o mamão diretamente do prato, tomou café sem açúcar e deixou a louça na pia. Na casa ao lado, alguém já tinha começado o churrasco. A fumaça entrava pela janela e trazia aquele cheiro de domingo que ela conhecia tão bem. Por alguns minutos, ficou ali, respirando. Não sentiu saudade. Ou talvez sentisse, mas não daquela maneira que as pessoas imaginam quando falam em saudade. Era uma saudade sem lágrimas, quase doméstica, dessas que aparecem enquanto a gente procura alguma coisa numa gaveta. Ela fechou a janela. Tomou banho. Escolheu uma roupa bonita. Não porque fosse sair...