Várias Dentro de Uma
A mulher é um “bicho” estranho mesmo, como escreveu Fabrício Carpinejar. Sangra todos os meses e continua. O corpo avisa dor, cansaço, mudança, peso, cólica, silêncio… e ainda assim ela levanta, prende o cabelo, coloca um curativo invisível na própria vulnerabilidade e sai para o mundo como quem não teve escolha além de seguir. E segue. Vai dirigir ônibus, pilotar avião, dar aula, operar alguém numa sala cirúrgica, limpar corredores de hospital, vender pão, julgar processos, recolher lixo da cidade, escrever livros, atender telefone, cuidar de idosos, apagar incêndios, servir café, administrar empresas, cuidar dos filhos das outras, estudar madrugada adentro, carregar filhos no colo e preocupações na alma. Há mulheres que salvam vidas. Há mulheres que organizam vidas. Há mulheres que sustentam vidas inteiras sem que ninguém perceba o peso que carregam nos ombros. E mesmo quando o mundo diminui tudo isso à palavra “sensibilidade”, quase nunca enxergam o quanto existe de resi...