Te Querendo Mais e Mais
Ela disse isso numa terça-feira, enquanto descascava uma laranja. Não havia música tocando, ninguém havia ido embora, nenhuma fotografia sobre a mesa, nenhuma lembrança especialmente bonita naquele instante. Apenas uma laranja. E ela. Com os dedos molhados de sumo, percebeu de repente que ainda queria. Aquilo a surpreendeu. Depois de certa idade, a gente aprende a diminuir o verbo querer. Queremos menos açúcar, menos barulho, menos explicações, menos gente entrando em nossa casa sem avisar. Aprendemos a escolher o restaurante, a cadeira mais confortável, o caminho mais curto. Ela também havia aprendido. Mas naquela manhã alguma coisa dentro dela se recusava a envelhecer no mesmo ritmo do corpo. Queria mais. Não sabia exatamente o quê. Talvez fosse isso que a deixava tão inquieta. Durante anos, imaginara que conhecer a vida era finalmente saber nomear as coisas. Agora descobria o contrário: havia uma liberdade enorme em não saber. Vestiu uma roupa que n...