SOU BRASILEIRA E SOU COLORADA
Sou brasileira e sou colorada. Gosto da bandeira do meu país, do vermelho da camiseta do Internacional, de música, de livros e de palavras. Gosto de tudo aquilo que desperta sentimentos, provoca lembranças e nos faz sentir parte de alguma coisa. Nunca imaginei que, um dia, gostar de determinadas cores pudesse exigir explicações. Tenho pensado nisso ultimamente. Não me lembro de ter visto tanta gente se desentendendo por causa de política. Ou talvez eu não prestasse tanta atenção. O fato é que hoje parece que precisamos descobrir de que lado uma pessoa está antes mesmo de ouvir o que ela tem a dizer. Direita ou esquerda? Qual partido? Em quem vota? Até as palavras parecem estar sendo examinadas. Algumas são pronunciadas e imediatamente classificadas. Outras despertam desconfiança, dependendo de quem as utiliza. E eu me pergunto: desde quando as palavras passaram a ter dono? As palavras estão nos dicionários, nos livros, nas conversas, nas canções e nos poemas. São instrumentos d...