Entre Lobos
Quando comprou a pequena casa de madeira na beira da mata, disseram a Ernesto que, no inverno, os lobos desciam. Disseram como quem avisa sobre a chuva, sobre a geada ou sobre o preço da lenha. — Não faça barulho à noite. Eles escutam. Ernesto apenas sorriu. Tinha passado a vida inteira ouvindo avisos. Na infância, para não subir em árvores. Na juventude, para não amar demais. Na velhice, para não começar nada novo. Comprou a casa assim mesmo. A vila tinha pouco mais de cinquenta moradores. Gente que falava baixo, fechava as janelas cedo e conhecia o nome dos avós uns dos outros. Ernesto era o único desconhecido. Nos primeiros dias, caminhava pela floresta sem destino. Gostava do silêncio dali. Não era um silêncio vazio; era cheio de pequenos ruídos: galhos cedendo, folhas secas, água correndo invisível entre as pedras. Era um silêncio que respirava. Numa dessas caminhadas encontrou um velho pastor sentado sobre um tronco. — Procurando os lobos? — perguntou o ho...