"Whos`s Holding Donna Now....Quem Está Com Você agora.."
O rádio não tocava alto. Nunca mais. Ficava ali, numa altura suficiente para não preencher o quarto inteiro — só um canto dele, como se a música também tivesse aprendido a não invadir. A primeira vez que aquela canção voltou, ela não prestou atenção no início. Estava na cozinha, abrindo e fechando gavetas sem precisar de nada específico. O som veio como vêm certas lembranças: sem pedir licença, mas sem força suficiente para ser impedido. Foi só no refrão que o corpo reconheceu antes da cabeça. Uma frase repetida, simples demais para não doer. Ela parou com a mão dentro da gaveta. Ficou assim por alguns segundos, como se estivesse esperando que a música passasse sozinha, como passam os carros na rua. Mas não passou. Continuou ali, insistente. Who’s holding Donna now? — Quem está com você agora? Who’s heart is she gonna take? — Quem ocupa o meu lugar? Does she still care? — Será que ainda existe um pedaço de nós em algum lugar? Ela fechou a gaveta devagar. Encostou n...