A Cadeira ao Lado
Ela sempre escolhia a mesa perto da janela. Não porque gostasse especialmente daquela mesa, mas porque dali podia olhar a rua sem precisar participar dela. Pessoas passavam apressadas, algumas carregando sacolas, outras falando ao telefone, quase todas com algum destino definido. Ela gostava disso. Sentava, pedia um café pequeno e permanecia ali por algum tempo, mesmo depois de terminar. Havia dias em que levava um livro. Em outros, apenas ficava olhando o movimento. Naquela manhã, a cadeira em frente estava ocupada por uma senhora que ela nunca tinha visto. — Posso? A pergunta veio acompanhada de um gesto em direção à cadeira. Ela fez que sim. A mulher colocou sobre a mesa uma xícara de café e uma fatia de bolo. — Aqui é mais tranquilo — disse. — É. Ficaram em silêncio. Não era um silêncio desconfortável. Era desses que não exigem explicação. Depois de alguns minutos, a senhora abriu a bolsa, tirou um envelope e ficou olhando para ele. — Estou adiando isso ...