Não Lhe Prometo Sol Nem Lua Cheia
Ele disse isso sem levantar a voz, como quem coloca um copo na mesa e sabe que alguém vai encontrar depois. Não lhe prometo sol nem lua cheia. Ela não respondeu. Havia coisas que, quando ditas assim, sem enfeite, não pediam resposta — pediam espaço. E ela ficou ali, ocupando o espaço entre as palavras dele, como se coubesse inteira naquele intervalo. Era fim de tarde, mas não daquele tipo bonito que se descreve. A luz vinha meio atravessada, pegando os móveis de lado, revelando poeiras antigas que ninguém mais limpava direito. A casa tinha esse cansaço de quem já foi muito habitada. Ele estava de pé, perto da janela que não fechava bem. O vento entrava fino, insistente, mexendo na cortina como se procurasse alguma coisa que não estava mais ali. — E o que você promete? — ela perguntou depois de um tempo que não dava para medir. Ele demorou. Não porque pensasse muito, mas porque parecia escutar outra coisa antes de responder. Talvez o rangido do assoalho, talvez o próprio pei...