Até Quando..
Às 22h15, Agnes morreu. Pelo menos era o que dizia o papel amarelado que segurava entre os dedos. Seu nome completo estava ali. O número do registro também. E, logo abaixo, numa letra firme e inquestionável: Hora da morte: 22h15. Ela leu uma vez. Leu outra. Depois uma terceira. Mas não se sentia morta. Passou a mão pelo próprio rosto. Sentiu a pele. Tocou os cabelos. Ouviu o som da própria respiração. Se estava morta, por que ainda sentia o peso do corpo? E se ainda sentia o corpo, por que alguém havia decretado sua morte? Ao levantar os olhos, percebeu que não estava sozinha. Havia uma discussão. Uma discussão antiga, feroz, quase cansada. De um lado, vozes afirmavam: — Ela merece o céu. Do outro: — Não. Ela merece o inferno. Agnes olhou em volta procurando quem falava. Não viu rostos. Apenas presenças. — Posso saber do que estão falando? — perguntou. Ninguém respondeu diretamente. Em vez disso, começaram a surgir cenas. Uma após outra. Como...