Quando o Céu Escolhe a Mesma Cor da Saudade
Existem dias em que o sol pesa. Parece estranho dizer isso. Fomos ensinados a desejar manhãs claras, céu azul, janelas abertas, gente sorrindo. Como se a felicidade tivesse uma cor oficial e ela fosse sempre luminosa. Mas quem vive uma ausência profunda sabe que nem sempre. Há dias em que a saudade prefere as nuvens. Não porque a gente deseje tristeza para o mundo. Muito pelo contrário. Que todos tenham dias claros, alegres, cheios de risos e de encontros. A dor que carregamos já basta. Ela não precisa ser dividida nem multiplicada. Mas, às vezes, o coração procura um céu que se pareça com ele. Depois de tantos anos vivendo ao lado da pessoa que se ama, a ausência não ocupa apenas um lugar da casa. Ela ocupa o corpo. Caminha junto. Dorme ao lado. Senta-se à mesa. E há momentos em que ela se torna quase física. Dói nos ombros, aperta o peito, cansa as pernas, como se a saudade tivesse aprendido a morar nos músculos. Durante muito tempo, pensei que as lembranças seriam um r...