Vem Que Te Enfrento
A placa estava ali havia anos. Pequena, enferrujada, presa a um mourão torto na beira da estrada. VEM QUE EU TE ENFRENTO Os que passavam inventavam histórias. Briga de vizinhos. Disputa por terras. Desafio de alguém que já nem estava vivo. Laura também inventara as suas. Durante muito tempo acreditou que aquelas palavras pertenciam a alguém. Nunca lhe ocorreu que pudessem pertencer a ela. Naquela manhã de inverno, estacionou o carro sem saber exatamente por quê. O campo estava coberto por uma névoa fina. Os cavalos pareciam recortados no branco, imóveis como figuras esquecidas depois que a festa acaba. Ela caminhou até a cerca. O frio entrou pelas mangas do casaco. Leu a frase uma vez. Depois outra. E mais uma. Curioso como certas palavras passam anos diante dos nossos olhos sem conseguir entrar. Até o dia em que encontram uma fresta. Laura pensou na carta dobrada dentro de um livro que nunca teve coragem de enviar. Pensou no número de tele...