As Pérolas da Riviera Suiça

A apenas dezoito quilômetros de Lausanne, repousa Vevey — uma pequena joia incrustada nas margens do lago Léman, tão serena e cintilante que lhe deram o título de pérola da Riviera Suíça. Ali, onde as águas parecem espelho dos Alpes e o vento sopra histórias em tom de eternidade, escolheu viver por vinte e cinco anos aquele que foi, ele mesmo, uma pérola rara do cinema: Charles Chaplin.

Chaplin encontrou em Vevey um palco silencioso depois de tantas luzes. E não poderia ser diferente: a cidade é um cenário pronto, bucólico e delicado, como se tivesse sido escrita para um de seus filmes. Sua mansão, cercada de verde e hoje transformada em museu ( Chaplins’ World) , guarda não apenas objetos, mas o sopro de sua genialidade — o ator que fez do silêncio uma sinfonia e dos gestos uma língua universal -

Quem não recorda de O Garoto, em que um homem pobre e um menino abandonado criam juntos um universo de ternura? Ou de Em Busca do Ouro, onde a fome se transforma em comédia sublime? E ainda Tempos Modernos, com o operário engolido pelas engrenagens da indústria, e O Grande Ditador, em que a coragem se vestiu de sátira para enfrentar a tirania? Cada um desses filmes, ainda nascidos do cinema mudo, atravessa o tempo como se fossem orações em movimento.

Foi ali, naquela mesma mansão que hoje recebe visitantes do mundo inteiro, que Chaplin respirou seus últimos dias (1977, mais precisamente 25 de dezembro). . Próximo dali, no pequeno cemitério de Corsier-sur-Vevey, descansa ao lado de sua amada Oona O’Neill, a mulher que lhe deu oito filhos e foi companheira até o fim. Duas existências entrelaçadas, repousando lado a lado como notas finais de uma melodia eterna.

E assim, Vevey não é apenas uma cidade encantadora às margens do Léman; é um relicário vivo onde a memória de Chaplin continua a caminhar devagarinho, chapéu inclinado e bengala em mãos, como se atravessasse o lago em busca de um novo aplauso. No brilho de suas águas, no reflexo dos Alpes, parece sempre haver a promessa de que a arte não conhece despedida. Porque Chaplin, feito pérola rara, não se quebrou com o tempo: apenas se fez eterno no riso que ainda hoje ecoa, discreto e luminoso, na Riviera Suíça.

 

Silvia Marchiori Buss

 

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