2026
2026 Ninguém entra em um ano novo ileso. Atravessa-se. Com o corpo inteiro — e com tudo o que ele já aprendeu a suportar. Chamam 2026 de ano um. Como se fosse começo. Mas talvez seja continuidade em outro tom. Um ano que não pede juventude, pede densidade. Mudança não é gesto leve. Não é ímpeto. Não é promessa. Só muda quem sustenta o peso do que viveu. Quem aprendeu a andar com o que perdeu sem transformar isso em desculpa. Há coragem nisso — uma coragem silenciosa, que não se anuncia. Carregamos números. Muitos. Anos, datas, marcas invisíveis no corpo e na memória. E há quem tente se esconder neles, como se o tempo fosse álibi. Como se dizer “já passou” bastasse. Mas nesse tanto de número que se carrega mora também outra coisa: sabedoria. Não a sabedoria pronta, organizada — mas a que sabe esperar, a que reconhece limites, a que não confunde pressa com vida. Seria fácil — e talvez covarde — entregar às mãos jovens a tarefa inteira de mudar o mundo. Como...