A Moça Que Se Perdeu no Tempo
Ninguém sabia o nome dela. Alguns diziam tê-la ouvido ser chamada de Helena, outros juravam que era Inês, Clara, ou talvez ninguém. O certo é que não parecia pertencer a lugar algum. Chamavam-na de a moça que se perdeu no tempo, e ela parecia aceitar esse destino com a serenidade silenciosa dos que já compreenderam o que não pode ser explicado. Às vezes era vista na plataforma de uma estação antiga, envolta em névoa e apitos de trem. O ferro rangia, as pessoas se abraçavam, os sinos tilintavam, e ela permanecia imóvel, como quem espera algo que não chega, mas também não parte. O bilhete em sua bolsa não tinha data. Quando o bilheteiro, curioso, perguntou se esperava alguém, ela respondeu, sorrindo: — Espero o instante certo. O ar ao redor dela parecia sempre carregar o cheiro de outra época. E o tempo, distraído, se abria para deixá-la passar. Havia o som do vento batendo nas tábuas de uma casa de madeira escura. A manhã nascia preguiçosa, o chão rangia a cada passo, e a moça v...