Coisas Boas e Ruins Vêm de Mãos Dadas

 A vida não tem o menor pudor em misturar o que sentimos.

Ela chega sem avisar, trazendo flores numa mão e espinhos na outra. E é quase sempre assim — o perfume e a dor caminhando lado a lado, sem cerimônia, sem intervalo.

Aprendemos cedo que não dá pra separar tudo em prateleiras: o certo e o errado, o belo e o feio, o riso e o choro. Eles convivem, se confundem, trocam de lugar quando o dia muda de humor. Às vezes, a alegria vem embrulhada num susto; outras, é a dor que traz um novo sentido, uma fresta de luz por onde a esperança insiste em entrar.

Coisas boas e ruins vêm de mãos dadas — e talvez seja esse o segredo mais simples e mais difícil de aceitar. Não há como escolher só um lado da moeda, porque ambos fazem parte da mesma sorte. A chuva que atrapalha o passeio também rega o jardim. O fim que dói abre espaço para o recomeço. A saudade que aperta é a prova do amor que existiu.

O tempo, sábio e paciente, vai nos ensinando a não brigar tanto com os contrastes. A compreender que a vida não é feita de extremos, mas de encontros — alguns suaves, outros brutais, todos necessários.

E, quando finalmente percebemos isso, respiramos fundo e seguimos, com o coração um pouco mais maduro, aceitando o que vem: o sol e a sombra, o riso e a lágrima, o ontem e o agora — de mãos dadas, como sempre foram.

 

Silvia Marchiori Buss

 

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