Quando a Alma Precisa Descansar
Tem dias em que a gente acorda cansado, mesmo depois de uma longa noite de sono.
As horas passaram, o corpo repousou, mas a alma… a alma continuou desperta.
Ficou vasculhando lembranças, abrindo gavetas antigas, tentando ajeitar o que
ainda dói.
E quando a alma não dorme, amanhecemos exaustos — não é o corpo que pesa, é o
coração.
A alma é como uma criança
teimosa: não aceita o “agora chega”, não entende o “amanhã melhora”.
Ela quer respostas imediatas, quer sentido nas ausências, quer descanso no meio
do turbilhão.
Mas alma cansada não se cura com travesseiro macio, nem com mais horas de sono.
Ela precisa de silêncio, de ar, de pausa. Precisa que a gente a ouça.
Talvez descansar a alma
seja deixar de lutar contra o que já foi.
Aceitar que há perguntas sem resposta, caminhos sem volta, histórias que se
encerram mesmo que a gente não queira.
E que está tudo bem parar por um tempo.
Fechar os olhos e apenas respirar.
Porque tem dias em que o
melhor remédio é o nada.
Nada de barulho, de pressa, de cobrança.
Apenas o espaço necessário para a alma se recompor, se reorganizar, se
reencontrar.
Então, se hoje você acordou
cansado, talvez o corpo tenha dormido, mas a alma ficou de vigília.
E tudo o que ela quer é que você a escute.
Não com os ouvidos, mas com o coração.
Diga pra ela que não precisa resolver tudo agora, que pode soltar o peso por um
instante.
A alma não quer promessas.
Quer sossego.
Quer um pôr do sol sem hora, um café em silêncio, uma música suave, um abraço
sem pressa.
Quer saber que, mesmo cansada, ainda pode sonhar.
Porque quando a alma enfim
descansa, o corpo também agradece.
E a vida volta a respirar no ritmo certo — o ritmo manso de quem aprendeu que
até a alma precisa dormir.
Silvia Marchiori Buss
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