A Mágica das Mãos
Acho que uma das partes mais bonitas do corpo humano são as mãos. Talvez eu ache isso porque as minhas nunca foram bonitas. São grandes, finas, compridas. “Mãos de gringa”, dizia minha mãe. Nunca consegui ter aquelas unhas longas, bem-feitas, pintadas de vermelho, vinho, azul, essas cores que deixam as mãos tão femininas. As minhas unhas quase sempre foram cor de unha mesmo. E eu nunca tive muita paciência para transformá-las em outra coisa. Mas gosto de olhar para as mãos. Gosto de reparar nelas. Há alguma coisa de mágico naquele conjunto de dedos que se movimenta e, sem dizer uma palavra, consegue conversar. As mãos inventaram uma espécie de idioma que não precisa de tradução. Um aceno pode dizer “oi”, “tchau”, “vem”, “vai embora”. Um polegar levantado pode significar que está tudo bem. Dois dedos podem formar um V, e dependendo do lugar, da época e da intenção, aquilo pode dizer coisas diferentes. Uma mão sobre o peito pode agradecer. Duas mãos juntas podem pedir...