A Donzela e o Pirilampo


A donzela tinha medo do escuro.

Não era um medo que confessasse. Durante o dia, parecia uma mulher como outra qualquer. Trabalhava, conversava, ria das histórias das amigas e caminhava pelo jardim quando havia sol.

Mas bastava a noite chegar.

Fechava as janelas, conferia a porta duas vezes e deixava uma vela acesa ao lado da cama.

Foi numa dessas noites que viu o pirilampo.

Uma pequena luz apareceu perto da janela, apagou-se e voltou a acender.

A donzela ficou olhando.

Abriu a janela.

O pirilampo deu uma volta no quarto e saiu novamente para o jardim.

Ela não o seguiu.

Na noite seguinte, ele voltou.

E na outra também.

Até que, certa noite, a luz apareceu mais longe, perto do velho caramanchão.

A donzela olhou para a porta.

Depois para o jardim.

Vestiu um casaco, calçou os sapatos e saiu.

Parou na soleira.

O coração batia depressa.

O jardim era o mesmo de todos os dias. Só que, à noite, as árvores pareciam maiores, os caminhos mais compridos e qualquer pequeno ruído ganhava importância.

O pirilampo acendeu-se entre as roseiras.

Ela deu um passo.

Depois outro.

Não foi embora o medo.

Ele foi com ela.

Passou pelo canteiro de hortênsias, pelo banco de madeira e chegou até o caramanchão. O pirilampo estava pousado numa folha.

A donzela aproximou a mão.

Ele voou.

Ela riu baixinho.

— Você me fez sair de casa para nada.

O pirilampo continuou seu caminho, acendendo e apagando entre as árvores.

Ela ficou olhando.

Na volta, não correu.

Quando chegou à porta, percebeu que havia deixado a janela do quarto aberta.

Não voltou para fechá-la.

Naquela noite, dormiu com a luz apagada.

E, do lado de fora, de tempos em tempos, uma pequena claridade aparecia no jardim.

Silvia Marchiori Buss

 

 

 

 

 

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