O Pequeno Espaço Entre Dois Tempos
E assim, entre um mês que guarda e outro que inaugura, ficamos nós — meio cansados, meio curiosos, equilibrando o que fomos e o que talvez ainda sejamos. Não há certezas nesse intervalo. Apenas um chão que muda de temperatura e uma luz que se acomoda devagar no parapeito dos dias. Dezembro não leva tudo, janeiro não traz tudo; eles apenas trocam as chaves da mesma porta. O resto… o resto a gente descobre caminhando, quando o calendário nos observa em silêncio, esperando para ver o que faremos com o tempo que ficou. Dezembro, esse velho conhecido, costuma chegar com o passo arrastado de quem carrega o peso das promessas não cumpridas. É como um arquivo vivo, guardando fichas que a gente jurou preencher. Planos que ficaram adormecidos, intenções que se perderam entre uma terça e outra, sonhos que ruminaram em silêncio, tímidos demais para se pronunciar. Dezembro sabe de tudo isso. E não levanta uma sobrancelha sequer. Ele apenas assente com o cansaço de quem já viu esse espetáculo muit...