" Quando a Alma Pede Calma"
Não é sempre o corpo que primeiro se entrega. Às vezes, é a alma que, num gesto quase imperceptível, deixa cair os ombros invisíveis e suspira. Ela não geme, não se arrasta, não mancha o rosto de suor. Apenas sussurra — para quem sabe ouvir — um pedido simples: acalme-me . A alma se desgasta em terrenos onde o corpo jamais pisa. Cansa-se das conversas que nunca chegam ao que importa, das promessas que se quebram sem ruído, dos abraços que apertam o ar, mas não o coração. Ela se fatiga das esperas longas demais, das despedidas sem data, das verdades que chegam tarde. E se exaure também dos excessos bons: da intensidade que a consome, dos amores que queimam como brasas, da alegria que, de tão alta, deixa um eco dolorido quando se vai. Quando a alma pede calma, seu arco-íris muda. O vermelho ardente das paixões se recolhe para um rubor morno. O amarelo do riso se dobra, tornando-se um dourado quieto, como luz filtrada por cortina grossa. O azul sereno se aprofunda, ganhando o ...