A casa dos espelhos
A casa de Dona Heloísa e Seu Arnaldo era uma espécie de palco onde as vidas se entrelaçavam em uma dança constante, silenciosa e, ao mesmo tempo, cheia de significados. A casa era ampla, antiga, cheia de móveis robustos e corredores que ecoavam os passos e as vozes de quem ali morava. Cada canto parecia guardar memórias, histórias de gerações que se sucederam e deixaram suas marcas. Moravam ali seis pessoas, cada uma vivendo sua própria trama, mas unidas por uma ligação invisível, como se cada um fosse uma peça importante em uma obra de teatro que se desenrolava naqueles cômodos. Dona Heloísa e Seu Arnaldo eram os pilares da família. Ele, um contador aposentado de fala mansa, sempre tinha uma palavra amiga ou uma lembrança de seus tempos de juventude, narrada em voz baixa para quem quisesse ouvir. Dona Heloísa, com sua energia inquieta, comandava a casa com precisão, cheia de afetos e modos, mas sempre certa de que cada detalhe da rotina tinha seu papel no espetáculo da vida. No quarto...