As gotas da vida
Dona Amélia entrou na farmácia com passos lentos, mas decididos. Vestia um casaco bem alinhado e segurava a bolsa com cuidado, como se dentro dela estivesse seu maior tesouro. Seu olhar buscava, entre as prateleiras, a segurança de uma rotina que há tempos havia aprendido a manter: uma ida semanal à farmácia para buscar as “gotas da vida”, o remédio que tomava para afastar a tristeza e suportar as longas noites solitárias.
Atrás do balcão, o jovem farmacêutico Marcos a reconheceu de imediato e lhe ofereceu um sorriso caloroso.
— Boa tarde, Dona Amélia! O que a senhora precisa hoje?
Ela parou, suspirou profundamente e olhou para ele com um ar quase resignado.
— Estou aqui para buscar meu remédio. As “gotas da vida”, sabe?
Marcos assentiu, mas notou o leve tremor em suas mãos enquanto ela mexia na bolsa, buscando a receita. Depois de alguns instantes de busca, Dona Amélia olhou para ele com uma expressão de embaraço.
— Ai, meu Deus... devo ter deixado a receita em casa. E agora? Não posso ficar sem o remédio, não posso!
Atrás do balcão, o jovem farmacêutico Marcos a reconheceu de imediato e lhe ofereceu um sorriso caloroso.
— Boa tarde, Dona Amélia! O que a senhora precisa hoje?
Ela parou, suspirou profundamente e olhou para ele com um ar quase resignado.
— Estou aqui para buscar meu remédio. As “gotas da vida”, sabe?
Marcos assentiu, mas notou o leve tremor em suas mãos enquanto ela mexia na bolsa, buscando a receita. Depois de alguns instantes de busca, Dona Amélia olhou para ele com uma expressão de embaraço.
— Ai, meu Deus... devo ter deixado a receita em casa. E agora? Não posso ficar sem o remédio, não posso!
Ela parecia mais angustiada com a ideia de voltar para casa de mãos vazias do que com o próprio remédio em si.
Marcos, com uma calma quase paternal, aproximou-se do balcão e falou em tom suave:
— Dona Amélia, sei que este remédio é importante para a senhora, mas sabe de uma coisa? Acho que tenho algo ainda melhor hoje. Vou lhe prescrever uma receita nova, especial. Posso?
Surpresa, ela ergueu os olhos para ele, intrigada.
— Uma receita nova? Como assim?
— Isso mesmo — disse Marcos, sorrindo. — Vou lhe prescrever algumas gotas de camomila. Elas vão ajudar a acalmar e melhorar o sono. Mas, junto com as gotas, tem algo ainda mais importante, que não está no frasco: um bom abraço. Ele faz bem, sabia?
Dona Amélia piscou, surpresa, e ficou em silêncio por um momento, absorvendo aquelas palavras.
Marcos, com uma calma quase paternal, aproximou-se do balcão e falou em tom suave:
— Dona Amélia, sei que este remédio é importante para a senhora, mas sabe de uma coisa? Acho que tenho algo ainda melhor hoje. Vou lhe prescrever uma receita nova, especial. Posso?
Surpresa, ela ergueu os olhos para ele, intrigada.
— Uma receita nova? Como assim?
— Isso mesmo — disse Marcos, sorrindo. — Vou lhe prescrever algumas gotas de camomila. Elas vão ajudar a acalmar e melhorar o sono. Mas, junto com as gotas, tem algo ainda mais importante, que não está no frasco: um bom abraço. Ele faz bem, sabia?
Dona Amélia piscou, surpresa, e ficou em silêncio por um momento, absorvendo aquelas palavras.
Um abraço? Era tudo o que ele prescrevia para aquela senhora que ele percebia tão solitária?
Ela sorriu, com uma lágrima escapando no canto do olho, e assentiu.
— Sabe, Marcos, acho que esse é o melhor remédio que eu já ouvi falar. O abraço, então... vou aceitá-lo.
Com delicadeza, Marcos deu a volta no balcão, e ela o recebeu de braços abertos. Foi um abraço longo, de amparo e respeito. Ao se afastarem, ela secou as lágrimas e parecia mais leve, como se parte do peso que carregava tivesse desaparecido.
Ele foi até a prateleira e pegou um frasco de gotas de camomila, entregando-o a ela com carinho.
— Aqui estão as suas “gotas da vida”, Dona Amélia. Tome à noite, com um pouco de água morna, e não se esqueça: é para acalmar e deixar o coração um pouco mais leve.
Ela segurou o frasco como se fosse uma joia preciosa e, com um brilho renovado nos olhos, agradeceu.
— Obrigada, Marcos. Sabe, acho que hoje vou dormir melhor. É um bom começo, não é? Quem sabe amanhã o dia nasça mais bonito?
— Com certeza, Dona Amélia. E, sempre que precisar de uma dose extra, passe por aqui. Não precisa de receita para isso.
Ela sorriu, sentindo-se compreendida e cuidada, e saiu da farmácia segurando com firmeza as “gotas da vida” e a lembrança do abraço que lhe renovara o ânimo. Ao atravessar a rua, Dona Amélia sentiu que enfrentaria a noite com mais coragem e que, aos poucos, a solidão poderia ceder lugar à esperança.
Ela sorriu, com uma lágrima escapando no canto do olho, e assentiu.
— Sabe, Marcos, acho que esse é o melhor remédio que eu já ouvi falar. O abraço, então... vou aceitá-lo.
Com delicadeza, Marcos deu a volta no balcão, e ela o recebeu de braços abertos. Foi um abraço longo, de amparo e respeito. Ao se afastarem, ela secou as lágrimas e parecia mais leve, como se parte do peso que carregava tivesse desaparecido.
Ele foi até a prateleira e pegou um frasco de gotas de camomila, entregando-o a ela com carinho.
— Aqui estão as suas “gotas da vida”, Dona Amélia. Tome à noite, com um pouco de água morna, e não se esqueça: é para acalmar e deixar o coração um pouco mais leve.
Ela segurou o frasco como se fosse uma joia preciosa e, com um brilho renovado nos olhos, agradeceu.
— Obrigada, Marcos. Sabe, acho que hoje vou dormir melhor. É um bom começo, não é? Quem sabe amanhã o dia nasça mais bonito?
— Com certeza, Dona Amélia. E, sempre que precisar de uma dose extra, passe por aqui. Não precisa de receita para isso.
Ela sorriu, sentindo-se compreendida e cuidada, e saiu da farmácia segurando com firmeza as “gotas da vida” e a lembrança do abraço que lhe renovara o ânimo. Ao atravessar a rua, Dona Amélia sentiu que enfrentaria a noite com mais coragem e que, aos poucos, a solidão poderia ceder lugar à esperança.
Silvia Marchiori Buss

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