A Cadeira ao Lado

Ela sempre escolhia a mesa perto da janela.

Não porque gostasse especialmente daquela mesa, mas porque dali podia olhar a rua sem precisar participar dela. Pessoas passavam apressadas, algumas carregando sacolas, outras falando ao telefone, quase todas com algum destino definido.

Ela gostava disso.

Sentava, pedia um café pequeno e permanecia ali por algum tempo, mesmo depois de terminar. Havia dias em que levava um livro. Em outros, apenas ficava olhando o movimento.

Naquela manhã, a cadeira em frente estava ocupada por uma senhora que ela nunca tinha visto.

— Posso?

A pergunta veio acompanhada de um gesto em direção à cadeira.

Ela fez que sim.

A mulher colocou sobre a mesa uma xícara de café e uma fatia de bolo.

— Aqui é mais tranquilo — disse.

— É.

Ficaram em silêncio.

Não era um silêncio desconfortável. Era desses que não exigem explicação.

Depois de alguns minutos, a senhora abriu a bolsa, tirou um envelope e ficou olhando para ele.

— Estou adiando isso há três semanas.

Ela sorriu, sem saber exatamente por quê.

— Às vezes a gente adia justamente aquilo que mais quer fazer.

A mulher levantou os olhos.

— É uma carta.

— Para alguém?

— Para minha filha.

Ela não perguntou mais nada.

A senhora abriu o envelope e retirou uma folha dobrada. Leu algumas linhas, parou, respirou fundo e guardou novamente.

— Não consigo terminar.

— Talvez porque esteja tentando escrever bonito.

A mulher sorriu.

— Estou.

— Escreva como se estivesse falando.

Ela ficou pensando.

Depois pegou a caneta.

Durante alguns minutos, escreveu.

Parava, riscava, escrevia novamente. Às vezes franzia a testa. Outras vezes sorria sozinha.

Quando terminou, dobrou a folha e colocou dentro do envelope.

— Pronto.

— Agora vai mandar?

— Vou.

Levantou-se, ajeitou o casaco e ficou alguns segundos parada ao lado da mesa.

— Obrigada.

— Pelo quê?

— Por não ter perguntado o que aconteceu.

Ela também sorriu.

— Algumas coisas a gente só conta quando encontra vontade.

A mulher saiu.

Ela voltou para o café.

Na mesa ao lado, a cadeira permanecia vazia.

Pouco depois, entrou um homem carregando uma pasta. Olhou em volta, aproximou-se e perguntou:

— Posso sentar aqui?

Ela olhou para a cadeira diante dela.

— Claro.

Ele sentou, abriu a pasta e tirou alguns papéis.

Não trocaram uma palavra.

Ela pediu outro café.

Na rua, continuavam passando pessoas apressadas, cada uma carregando seus próprios pensamentos.

Ela ficou alguns minutos olhando o movimento.

A xícara de café chegou, quente, sobre a mesa.

Do outro lado, a cadeira permanecia vazia.

Ela não sabia se a senhora voltaria algum dia. Talvez sim. Talvez não.

Guardou o livro na bolsa, ajeitou o casaco e saiu.

Na porta, antes de atravessar a rua, olhou por um instante para dentro do café.

A mesa continuava ali, perto da janela.

Silvia Marchiori Buss

 

 

 

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