Beldades e Gormavos
É muita coisa ao mesmo tempo.
Belezas demais, ideias demais, certezas demais.
Tudo grita, tudo brilha, tudo quer ser absoluto.
E a cabeça da gente...
Frita.
Tem hora que parece que o mundo
virou um espelho rachado.
Cada pedaço reflete alguma verdade empacotada, com laço e tudo.
Como se todo mundo soubesse exatamente para onde ir, o que fazer, quem ser.
Mas, no fundo, ninguém sabe.
Tá todo mundo só fingindo que não tá pirando.
As sinapses fazem festa,
tropeçam, caem no chão.
E a gente tenta acompanhar, mas os pés afundam em dúvida.
Gormavos.
É isso.
Nem sei o que quer dizer, mas
sinto.
Tipo aquele nó no meio do peito quando tudo parece demais e nada faz sentido.
O problema não é sentir.
É sentir tudo ao mesmo tempo, sem saber onde guardar.
E não vem me dizer pra respirar
fundo, beber água, pensar positivo.
Não é sede.
É transbordamento.
O nome disso...
Não sei.
Mas é gormavos.
E tá todo mundo passando por ele, mesmo sem saber.
Silvia Marchiori Buss
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