Amanhã Não Precisa Ser Mais um Hoje

Quantas vezes terminamos o dia com a sensação de que nada mudou? De que as mesmas angústias, os mesmos erros e as mesmas dores nos acompanham como sombras inseparáveis? Mas a verdade é que não estamos condenados a repetir o hoje no amanhã. Podemos escolher, e a consciência dessa escolha é o primeiro passo para uma vida mais leve e verdadeira.

Erramos. Erramos todos os dias. Ferimos aqueles que amamos com palavras impensadas, atitudes egoístas, silêncios desnecessários. No entanto, não somos obrigados a carregar a culpa como um peso eterno. O que foi dito, o que foi feito, não pode ser apagado, mas pode ser ressignificado. Podemos aprender com cada tropeço e evitar novas quedas.

Provocamos dores. E, muitas vezes, nos machucamos também. Choramos sem motivo aparente, nos deixamos consumir por melancolias que não conseguimos explicar. Mas e se olhássemos para essas tristezas como nuvens passageiras? Se entendêssemos que nem toda emoção negativa precisa ser alimentada?

Queremos demais. Queremos controle, queremos reconhecimento, queremos o que está fora do nosso alcance. E nessa busca insaciável, esquecemos de valorizar o que já temos. A verdade é que muitas das coisas que desejamos não nos pertencem porque simplesmente não nos cabem. O poder, a posse, a conquista sem significado nos esgotam mais do que nos preenchem.

O amanhã não precisa ser uma repetição do hoje. Se tivermos consciência do que nos prende e nos impede de avançar, podemos nos libertar. Não se trata de negar os sentimentos, mas de aprender a acolhê-los sem deixar que nos dominem. Não se trata de abrir mão dos sonhos, mas de escolher aqueles que realmente nos trazem sentido e não apenas ilusão.

Nossa vida é nossa. E podemos transformá-la sem sofrimento desnecessário, sem ambicionar o inalcançável, sem desejar o que nunca foi nosso. Podemos seguir mais leves, mais conscientes, mais humanos. Porque o amanhã pode ser diferente. Basta que queiramos de verdade.

 

Silvia Marchiori Buss

 

 

 

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