Alma!
Sabe aquele dia em que acordamos sentindo que falta um pedaço?
Pois bem… hoje é um desses dias.
Nada
aconteceu de especial. A casa está no mesmo lugar, os móveis obedientes ao
silêncio, a manhã entrou pela janela como entra todos os dias. Ainda assim, há
uma pequena ausência circulando pelo ar, como se alguma coisa tivesse saído
durante a noite sem avisar.
Não
é dor exatamente.
É mais como um espaço.
Um
espaço dentro do peito onde antes havia alguma coisa — talvez uma alegria
distraída, talvez uma certeza qualquer, talvez apenas aquela sensação simples
de estar inteiro.
E
então a gente se pergunta:
o que será que falta?
Será
que é um pedaço da alma? Ou, a alma inteira...
Mas
aí vem outra pergunta, dessas que ninguém responde com segurança:
onde fica a alma?
Alguns
dizem que mora no coração, batendo junto com o sangue, escondida entre as
lembranças e os afetos. Outros juram que ela não tem endereço fixo, que anda
pelo corpo como um vento leve, passando pelos pensamentos, pelos medos, pelos
desejos.
Quem
sabe esteja escondida nas suprarrenais, misturada aos pequenos sustos da vida,
fabricando coragem quando tudo parece difícil. Ou talvez more num lugar ainda
mais discreto — naquele ponto invisível entre o que somos e o que sentimos.
Talvez
a alma não seja um órgão.
Talvez seja apenas o nome que damos às partes de nós que ninguém consegue
explicar.
E
nesses dias estranhos, quando acordamos com a sensação de que falta um pedaço,
talvez não seja perda.
Talvez
seja só a alma andando por aí, explorando algum canto esquecido da nossa
própria vida.
Mais
tarde, quem sabe, ela volta.
Quietinha.
E
a gente nem percebe exatamente quando ficou inteiro de novo. 🌿
Silvia
Marchiori Buss
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