O Tamanho da Tua Dor

Dor não se mede. Não existe régua, balança ou escala que dê conta dela. Quando aparece, ela é inteira, ocupa espaço e exige reconhecimento.

Mesmo assim, insistimos em classificar. Usamos comparações como se fossem instrumentos de precisão: “isso é pequeno”, “isso não é nada”, “já passei por pior”. Tentamos hierarquizar sofrimentos, como se houvesse uma dor legítima e outras descartáveis. Mas não existe dor menor ou maior, existe apenas dor.

O erro está em acreditar que conseguimos acessar a intensidade que o outro sente. O que se vê de fora é apenas sinal: um gesto contido, um silêncio prolongado, um olhar perdido. Nada disso revela a dimensão real do que se passa por dentro. Cada pessoa conhece a própria fissura, o próprio abismo. O observador só enxerga a borda.

Na tentativa de medir, banalizamos. Fazemos da dor do outro algo que precisa caber em nossos parâmetros. Isso não é solidariedade, é negação. E a negação sempre acrescenta solidão a quem sofre.

Não há medida para o que corta invisível, para o que pesa sem forma, para o que atravessa em silêncio. O que para uns é suportável, para outros é insuportável. O que para uns passa rápido, para outros permanece como cicatriz aberta.

Dor não é estatística. Não pode ser organizada em tabelas, nem disposta em ordem crescente. É experiência individual, intransferível, que não admite escala.

O tamanho da tua dor não precisa ser igual ao meu para que eu a reconheça. Basta existir. Basta estar presente. Basta atravessar.

E isso já é o bastante.

 

Silvia  Marchiori Buss

 

 

 

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