Quero Saber em Que Estrada Minha Vida Vai Encostar na Tua
Ela caminhava devagar, como quem não tem pressa de chegar, mas também não suportava mais ficar no mesmo lugar. Às vezes pegava atalhos, noutras se deixava guiar pelas placas que ninguém lia — as do vento, do farfalhar das árvores, das pegadas apagadas na poeira dos outros.
Era uma mulher que colecionava encontros inacabados. Tinha nomes guardados no bolso do casaco e lembranças que vinham com cheiro de chuva. O amor, para ela, era um mapa que alguém desenhou com a mão trêmula — linhas tortas, curvas abruptas, desvios que nunca levavam ao centro.
Ele, por outro lado, era desses que mantinham a vida em linha reta, mas o olhar vagava nas encruzilhadas. Tinha um caderno de anotações onde riscava os dias em que quase amou, os rostos que quase reconheceu, as palavras que quase disse. Achava que amor era coisa de outros — mas, às vezes, se pegava parado na beira da estrada, esperando não sabia o quê.
Nunca se viram. Mas já sonharam um com o outro.
Ela sonhou que ele lhe oferecia um café no meio do nada — e o nada era exatamente o que ela precisava naquele instante. Ele sonhou que ela lhe pedia direção — e ele, por fim, sentia que tinha algo a oferecer.
Talvez estejam agora, neste exato momento, cruzando cidades diferentes, dobrando esquinas opostas, perdendo ônibus ou mudando de rota por um pressentimento bobo. Talvez um semáforo os tenha separado por cinco segundos. Talvez uma música no rádio os tenha feito parar ao mesmo tempo, suspensos num suspiro.
Ela, às vezes, escreve no diário: “Quero saber em que estrada minha vida vai encostar na tua.” E fecha o caderno com a esperança suave de quem ainda acredita em encontros sem hora marcada.
Ele, de vez em quando, ao observar uma estrada vazia, sente uma saudade do que ainda não viveu. E pensa, sem saber bem de onde veio: “Será hoje?”
E a vida, caprichosa, vai armando suas coincidências, suas pausas e seus reencontros invisíveis. Porque há vidas que caminham paralelas durante anos — até que um desvio, um tropeço, uma troca de pneu no acostamento, enfim, as façam encostar.
E quando isso acontecer, nenhum dos dois vai perguntar o nome do outro. Vão apenas sorrir com a sensação estranha e reconfortante de já se conhecerem há muito tempo.
Como se a estrada soubesse.
Era uma mulher que colecionava encontros inacabados. Tinha nomes guardados no bolso do casaco e lembranças que vinham com cheiro de chuva. O amor, para ela, era um mapa que alguém desenhou com a mão trêmula — linhas tortas, curvas abruptas, desvios que nunca levavam ao centro.
Ele, por outro lado, era desses que mantinham a vida em linha reta, mas o olhar vagava nas encruzilhadas. Tinha um caderno de anotações onde riscava os dias em que quase amou, os rostos que quase reconheceu, as palavras que quase disse. Achava que amor era coisa de outros — mas, às vezes, se pegava parado na beira da estrada, esperando não sabia o quê.
Nunca se viram. Mas já sonharam um com o outro.
Ela sonhou que ele lhe oferecia um café no meio do nada — e o nada era exatamente o que ela precisava naquele instante. Ele sonhou que ela lhe pedia direção — e ele, por fim, sentia que tinha algo a oferecer.
Talvez estejam agora, neste exato momento, cruzando cidades diferentes, dobrando esquinas opostas, perdendo ônibus ou mudando de rota por um pressentimento bobo. Talvez um semáforo os tenha separado por cinco segundos. Talvez uma música no rádio os tenha feito parar ao mesmo tempo, suspensos num suspiro.
Ela, às vezes, escreve no diário: “Quero saber em que estrada minha vida vai encostar na tua.” E fecha o caderno com a esperança suave de quem ainda acredita em encontros sem hora marcada.
Ele, de vez em quando, ao observar uma estrada vazia, sente uma saudade do que ainda não viveu. E pensa, sem saber bem de onde veio: “Será hoje?”
E a vida, caprichosa, vai armando suas coincidências, suas pausas e seus reencontros invisíveis. Porque há vidas que caminham paralelas durante anos — até que um desvio, um tropeço, uma troca de pneu no acostamento, enfim, as façam encostar.
E quando isso acontecer, nenhum dos dois vai perguntar o nome do outro. Vão apenas sorrir com a sensação estranha e reconfortante de já se conhecerem há muito tempo.
Como se a estrada soubesse.

Comentários
Postar um comentário