Quando o Tempo Não Espera
Queria ter dito adeus com as mãos. Queria ter olhado mais uma vez, mesmo que só para guardar o traço exato dos teus olhos se fechando — não pela fadiga, mas pela partida. Mas me foste arrancado — como folha que o vento leva antes que possamos dizer “ainda não”.
Corri.
Mas não se corre o tempo que não é nosso. O tempo dos homens é feito de
relógios, prazos, esperas. O do universo... é feito de silêncio. E fim.
Quando é chegada a hora, nenhuma súplica adianta, nenhum gesto alcança.
Ficamos aqui, de mãos vazias,
tentando compreender aquilo que não se explica.
O corpo ausente. O toque que não veio. A palavra que nunca foi dita e agora
ecoa, muda, por dentro.
Não há consolo.
Só a presença do vazio — esse hóspede indesejado que se instala onde antes
morava o riso.
E a pergunta amarga que nos devora: por que tão de repente? Por que assim?
Talvez porque o universo não
se curva às nossas vontades.
E há partidas que não avisam, apenas acontecem. Não para ensinar nada. Não para
fortalecer ninguém.
Mas porque sim. Porque a vida, às vezes, é cruel na sua urgência.
E agora resta isso: um adeus
que não foi dito, um tempo que nos traiu... e o amor — esse sim, intacto —
sussurrando no escuro: ainda estou aqui.
Silvia Marchiori Buss
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