Na Estrada
Há algo de mágico em estar entre dois lugares. Quando os pés ainda não chegaram e as malas ainda não foram desfeitas. A estrada — com suas curvas, paisagens e promessas — é onde tudo realmente acontece.
É no caminho que os planos ganham forma: pensamos nos passeios que ainda não fizemos, nas risadas que ainda não ecoaram, nos encontros que talvez nem aconteçam, mas já aquecem o peito como se fossem certos. A estrada é o palco das nossas melhores fantasias. Nela, somos todos um pouco sonhadores, um pouco atores, um pouco crianças com o nariz colado no vidro da janela, tentando adivinhar o que vem depois da próxima curva.
Engana-se quem acha que o destino é o ponto alto da viagem. O melhor lugar é aquele entre uma cidade e outra — onde a realidade ainda não apertou os cintos e a imaginação dirige em alta velocidade. Onde não há obrigações, nem horários definidos, apenas a sensação de estar indo. E, por um breve momento, isso basta.
A vida, se a gente parar para pensar, é exatamente assim. Viemos de uma casa que nos acolheu — ainda que não a lembremos — e seguimos rumo a outra, que não conhecemos. Entre uma e outra, estamos na estrada. O intervalo entre o que éramos e o que seremos. É nesse meio que tudo acontece: os encontros, os desencontros, as escolhas, os medos, os abraços, as danças, os silêncios, os segredos que jamais confessaremos.
É ali, nesse entrelugar, que a vida pulsa mais viva. Nem no ponto de partida, nem na chegada, mas no durante. A estrada é o tempo suspenso onde inventamos quem somos — ainda que por um instante. Onde tudo é possível, onde nada é definitivo.
E, no fundo, talvez seja essa a grande revelação: viver é estar em trânsito. O que nos forma não é de onde viemos, nem para onde vamos, mas o que escolhemos sentir, construir e ser enquanto atravessamos o caminho. A estrada é curta ou longa conforme o passo. E é ali, no meio dela, entre a casa de onde partimos e a que nos espera, que a vida verdadeiramente acontece.
Por isso, que seja leve a bagagem. E intenso o caminho.
É no caminho que os planos ganham forma: pensamos nos passeios que ainda não fizemos, nas risadas que ainda não ecoaram, nos encontros que talvez nem aconteçam, mas já aquecem o peito como se fossem certos. A estrada é o palco das nossas melhores fantasias. Nela, somos todos um pouco sonhadores, um pouco atores, um pouco crianças com o nariz colado no vidro da janela, tentando adivinhar o que vem depois da próxima curva.
Engana-se quem acha que o destino é o ponto alto da viagem. O melhor lugar é aquele entre uma cidade e outra — onde a realidade ainda não apertou os cintos e a imaginação dirige em alta velocidade. Onde não há obrigações, nem horários definidos, apenas a sensação de estar indo. E, por um breve momento, isso basta.
A vida, se a gente parar para pensar, é exatamente assim. Viemos de uma casa que nos acolheu — ainda que não a lembremos — e seguimos rumo a outra, que não conhecemos. Entre uma e outra, estamos na estrada. O intervalo entre o que éramos e o que seremos. É nesse meio que tudo acontece: os encontros, os desencontros, as escolhas, os medos, os abraços, as danças, os silêncios, os segredos que jamais confessaremos.
É ali, nesse entrelugar, que a vida pulsa mais viva. Nem no ponto de partida, nem na chegada, mas no durante. A estrada é o tempo suspenso onde inventamos quem somos — ainda que por um instante. Onde tudo é possível, onde nada é definitivo.
E, no fundo, talvez seja essa a grande revelação: viver é estar em trânsito. O que nos forma não é de onde viemos, nem para onde vamos, mas o que escolhemos sentir, construir e ser enquanto atravessamos o caminho. A estrada é curta ou longa conforme o passo. E é ali, no meio dela, entre a casa de onde partimos e a que nos espera, que a vida verdadeiramente acontece.
Por isso, que seja leve a bagagem. E intenso o caminho.
Silvia Marchiori Buss

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