Todas as "Marias"

 Não quero repetir aqui o que já foi tantas vezes dito – que coração de mãe é maior que o mundo, que elas enfrentam dores sem alarde, que amam sem medida. Hoje, não venho falar de mães como heroínas inalcançáveis, mas como mulheres reais que vivem, sentem e se reinventam a cada dia.

Quero falar da mulher. Da possibilidade rara que o universo lhe concedeu: gerar uma vida dentro de si. Abrir espaço em seu corpo, em suas entranhas, em sua história, para que outro ser floresça. E depois, com o mesmo corpo que abrigou, oferecer ao mundo aquilo que mais ama, sabendo que não poderá segurá-lo para sempre.

Ser mãe é isso. É gestar, cuidar, proteger, ensinar, mas também – e talvez principalmente – libertar. É preparar o filho para o voo, mesmo com o coração em frangalhos. É sorrir com os olhos enquanto, por dentro, algo se despede.

Há mães que caminham acompanhadas, dividindo alegrias e cansaços com quem escolheu estar ao lado. E há as que seguem sozinhas, com as mãos firmes e o olhar atento, sustentando o mundo nos braços enquanto disfarçam o cansaço no sorriso. A essas mulheres, que madrugam sem rede de apoio, que enfrentam julgamentos, silêncios e renúncias, o reconhecimento não pode ser menor. Porque amor não se mede em número de presenças, mas na inteireza com que se está.

A todas as Marias – às que amamentam e às que embalam com palavras, às que educam com firmeza e ternura, às que amam de perto e às que foram obrigadas a amar de longe – essa homenagem. Porque ser mãe não é um papel fixo, é uma entrega que se transforma. É fazer do peito um lar, e do olhar um abrigo. É saber ficar, saber partir e, sobretudo, saber permitir que o outro encontre o próprio caminho.

Hoje, celebro todas vocês, mulheres que fazem da maternidade um gesto cotidiano de coragem, afeto e desprendimento.

Feliz dia, mães de todas as formas, de todas as histórias, de todas as forças.

Silvia Marchiori Buss

 

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