Tudo Não Passa de ilusão...Exceto o Real da Vida...
Vivemos cercados por véus. Promessas, aparências, conquistas, status, elogios e curtidas – tudo isso dança diante dos nossos olhos como fumaça. Brilham, seduzem, mas escorrem pelos dedos. São miragens em desertos modernos, onde a sede de pertencimento nos faz enxergar oásis onde há apenas pó. Construímos castelos de areia em redes sociais, vendemos versões editadas de nós mesmos, corremos atrás de metas que nem sempre são nossas, que talvez nunca tenham sido. Ilusão.
A ilusão tem pressa. Nos empurra
para frente, para cima, para fora. Exige performance, performance constante.
Sorrisos plastificados, felicidades embaladas a vácuo. E a gente compra,
consome, se enreda. Mas dentro... dentro, algo falta. Falta o chão, falta o
sentido. Porque o que é feito só para parecer nunca consegue ser.
O real da vida, no entanto, é
simples. Não exige palco, nem holofotes. Está no toque de uma mão quente em dia
frio. No cheiro do café coado que lembra casa, afeto, refúgio. Está no olhar de
quem escuta de verdade, com a alma atenta, sem distrações. Está no silêncio que
se partilha sem desconforto, sem necessidade de preencher. No choro que
encontra colo, no abraço que não julga.
Está também nas dores – no luto
que rasga, na ausência que pesa. Porque o real não é só o que consola, mas
também o que atravessa. Está no amor que cicatriza, que não promete eternidade,
mas permanece enquanto é inteiro. Está nos encontros que não se postam, nos
gestos que não pedem aplauso, nas conversas que não viram conteúdo.
O real da vida não grita –
sussurra. Não impressiona – toca. Não ilude – revela. Não se veste para ser
visto – se despe para ser sentido.
E o resto? O resto, por mais
bonito, é cenário. E cenários mudam. As luzes se apagam, os aplausos cessam, as
cortinas se fecham. E quando tudo se cala, só o que é real permanece.
Silvia Marchiori Buss
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