Sofrendo em Palavras
Tem dias em que a dor é tanta que não cabe no peito. Não tem nome, não tem causa que se explique direito - é só essa presença pesada, latejante, como um balão inflado demais prestes a estourar. Um peso sem lugar, sem endereço fixo, que mora em mim inteira.
Não, não é depressão, embora
possa parecer. E tristeza pura. Uma tristeza que não quer ser diagnosticada,
que não pede remédio nem conselho. Só quer existir. Só quer ser sentida em silêncio
ou em palavras – essas pequenas tentativas de organizar o caos.
Eu sofro em palavras. É nelas que
tento me derramar quando o mundo parece apertado demais. Quando a saudade vira
faca, quando o vazio faz eco. Sofro em palavras porque nelas, às vezes,
encontro algum alívio, mesmo que breve.
Já pensei, mais de uma vez, que
talvez a dor física fosse mais fácil. A gente sabe onde dói, aponta, trata. Mas
essa dor sem contorno, essa dor que mora no ar que se respira, que pesa nos
ombros mesmo sem toque...essa é difícil de explicar. E mais difícil ainda de
curar.
Eu só queria encontrar uma palavra
que coubesse essa dor. Que a resumisse sem sufocar. Quem sabe um dia eu ache. E
nesse dia, talvez, eu consiga respirar mais fundo.
Silvia Marchiori Buss
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