O Caos Que Habita Em Mim
Há um caos dentro de mim. Não daqueles que se resolve com um boa noite de sono ou uma xícara de chá quente. É um caos profundo, denso, que se alimenta do excesso — de informação, de expectativa, de realidade.
Viver, para quem leva a vida a
sério, é tarefa árdua. Não falo daquela seriedade sisuda, sem riso ou poesia.
Falo da seriedade de quem sente, de quem se importa, de quem não consegue
atravessar os dias apenas na superfície.
A vida nos joga tudo de uma vez:
notícias que nos ferem, verdades que não pedimos, dores que não são só nossas,
mas que, por empatia ou cansaço, acabam encontrando abrigo em nossos corpos. A
mente tenta dar conta, tenta organizar, interpretar, racionalizar. Mas há horas
em que o excesso nos transborda.
E então, o que não conseguimos
nomear com palavras, o corpo traduz em sintomas. Uma dor no estômago. Um nó na
garganta. Uma insônia que se repete. E se repete. E se repete.
É quando percebemos que o caos
que vem de fora já se misturou com aquele que é só nosso. Com nossas verdades,
nossos traumas, nossas faltas, nossos lutos, nossos medos antigos. De repente,
já não sabemos mais o que é externo e o que é interno. Só sentimos.
E não há manual para isso. Nem
filtro de rede social, nem curso de meditação, nem frase motivacional nem mesmo
terapia ou medicação. Às vezes, tudo o que podemos fazer é respirar. Respirar
fundo. Escrever. Chorar. Ficar em silêncio. Reconhecer que viver, de verdade,
dá trabalho.
Mas há beleza nesse caos também.
Porque é nele que nos reconhecemos humanos. Imperfeitos, sensíveis, fraternos, inquietos.
E talvez seja justamente por isso que seguimos em frente: porque, apesar de
tudo, ainda acreditamos que viver é preciso — mesmo quando é difícil.
Mesmo quando dói.
Silvia Marchiori Buss
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