Odeio roxo
Toninho e Elsa haviam jantado na casa de amigos, antigos colegas de esquina. Mais tarde, em casa, Elsa indaga ao marido:
— É verdade?
— Verdade o quê?
— Aquilo que contou no jantar!
— Contei tantas coisas, dá uma pista! Afinal, esse encontro de turma faz a gente falar demais...
— Ãh, ãh! Não se faça de tonto. Agora, sozinho comigo, aquilo que todos riram de mim… Por mais que Toninho quisesse adiar essa D.R., teve que admitir:
— Da aposta?
— Sim! Do que mais seria? Então, nosso casamento, nossos filhos, são frutos de uma aposta?
— Eu pensei que me amasse. Fui chacota de todos, por anos... Nosso relacionamento não passou de uma droga de aposta. Como é que pôde, Toninho?
— Te acalma, mulher. Foi há tanto tempo...
— Então, deixa eu ver se entendi: tu casarias com a primeira mulher que passasse com vestido roxo na esquina dos encontros. Coisa quase improvável, roxo. Só eu mesma...
Roxo... Cor inusitada para uma jovem moça gostar, mas eu gostava, adorava.
— Tu não querias mesmo casar; foi só pela aposta... Para honrar a palavra com teus amigos.
— Te acalma, Elsa. Vista tua camisola roxa e vem deitar...
Elsa abre o armário, examina peça por peça. Tira uma a uma, joga no chão enquanto fala:
— Prepara um cheque bem gordo... Odeio roxo!

Silvia Marchiori Buss
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