O "bolo" mais bem dado
Cisa nasceu gordinha e passou um bom tempo da vida brigando com a balança, sofrendo vários tipos de constrangimento devido às suas formas avantajadas. À medida que foi entendendo que seu volume era, de fato, seu maior problema, foi se afastando de todos. Vivia enclausurada em sua "vidinha" do faz de conta.
No faz de conta, todos gostavam dela. Ela era a rainha da banda e do futebol, e seu amor platônico era o mais real que se podia imaginar: Fausto, o gostoso da turma. Fausto sempre fora seu amor. Cresceu e se tornou adolescente, sofrendo a gozação dos colegas, já que eles sabiam do amor da “gorda”, da “pipa”, da “aberração de Barbie”. Esses, entre outros apelidos, Cisa conquistou ao longo da vida. A menina tentava se mostrar pelo lado intelectual, estudava e lia muito; era a melhor da classe, mas sofria bullying também por isso, além de gorda, era considerada CDF.
Como manda o destino, mudou-se com seus pais para a cidade grande. Ali, sua vida deu uma volta de cento e oitenta graus. Formou-se em Direito, tornou-se chefe de um grande escritório e uma linda mulher. A maturidade fez com que ela entendesse que poderia se tornar o que quisesse; tudo dependia dela. Ela admite que não foi fácil, mas o resultado lhe agradou e a todos os outros.
Quis o destino que Fausto, seu grande amor platônico, aquele que muito aprontou com ela e de quem guardava uma carta na qual fora rejeitada por ser gorda, se encontrasse novamente. Claro que ele jamais a reconheceria; ela estava um mulherão, uma verdadeira Barbie — usava seu nome e não o apelido: Dra. Cecília — cobiçada por todos e invejada por todas!
Seu colega de escritório, Fausto, babava por ela, admirando a beleza física e intelectual de sua chefe. Não passou muito tempo até que ele a convidasse para um jantar…
A resposta foi colocada sobre a mesa do colega, com uma foto de antigamente e a carta que tanto lhe fizera sofrer. No elevador, Fausto tentou se desculpar, dizendo que era coisa de guri, que agora era diferente, e… e…
— Com todo o respeito, Dr. Fausto: você não faz o meu tipo!

Silvia Marchiori Buss
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