Meu Melhor "Namorado"
Ele foi meu melhor namorado.
Não o mais intenso, não o mais difícil, não o mais inesquecível no sentido
exagerado da palavra. O melhor.
Com
ele, as coisas não precisavam de legenda. O silêncio não era vazio, o riso não
era esforço, o cotidiano não era espera. Havia uma naturalidade rara, dessas
que a gente só percebe depois, quando já passou.
Eu
fui sempre sua.
Não por promessa, nem por medo de perder. Fui porque era simples ficar. Porque
não havia disputa, nem dúvida, nem ensaio. Era presença sem vigilância.
No
passado, antes dele, houve outros, namoro e paixões “avassaladoras” da
adolescência... Claro que houve.
Mas quando penso neles agora, é como lembrar de sabores que não ficaram. Tinham
gosto de nada — ou quase nada. Um amargor rápido, um azedo educado. Limão com
gengibre: acorda a boca, mas não alimenta. Não sustenta. Não fica.
Ele,
não.
Ele tinha gosto de coisa que se reconhece sem precisar nomear. Algo que não
cansa o paladar, que não pede correção, que não precisa ser misturado com
açúcar pra parecer melhor.
Não
foi um amor dramático.
Foi um amor limpo.
Às
vezes, quase sempre, ele me volta em gestos simples: um jeito de olhar, um
detalhe banal, uma tarde comum. Não dói. Não pesa. É só a certeza tranquila de
que aquilo foi inteiro enquanto foi.
Ele
foi meu melhor “namorado”.
E isso não precisa competir com nada.
É
apenas verdade.
Silvia
Marchiori Buss
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