Energia na Parede
A luz amarelada do café projetava sombras nas paredes de tijolos aparentes, criando formas que pareciam se mover com a respiração do lugar. Laura olhava o celular, os dedos desenhando círculos invisíveis na borda da xícara. Ele já deveria estar ali.
Quando a porta rangeu, ela levantou os olhos. Não era quem esperava.
O homem à sua frente hesitou por um segundo antes de caminhar até sua mesa. Alto, cabelos desalinhados, um olhar de quem sabia mais do que deveria.
— Laura?
Ela franziu a testa, tentando reorganizar os pensamentos.
— Sim... mas você não é o Rafael.
Ele sorriu de lado, puxando a cadeira como se tivesse sido convidado.
— Não. Meu nome é Daniel.
Ela piscou algumas vezes, confusa.
— Você é amigo dele?
— Digamos que não exatamente.
Laura sentiu um arrepio lhe percorrendo os braços. O garçom passou ao lado e ela pensou em dizer algo, mas se conteve.
— Então o que está fazendo aqui?
Daniel apoiou os braços sobre a mesa e encarou-a como se estivesse escolhendo palavras com cuidado.
— Rafael não vem. Ele... mudou de ideia.
O rosto dela endureceu.
— E te mandou no lugar dele?
Ele balançou a cabeça.
— Não. Eu apenas sabia que você estaria aqui.
O silêncio entre os dois foi preenchido pelo burburinho distante de conversas ao redor. Laura sentiu um aperto no peito, como se uma descarga elétrica percorresse o ambiente. Sua atenção foi atraída para a parede ao lado.
A luz refletia um jogo de sombras que parecia pulsar, vibrar de um jeito estranho. Uma energia invisível ondulava pelo tijolo frio, como se algo ali captasse o que estava acontecendo entre eles.
Ela cruzou os braços.
— O que você quer de mim?
Ele respirou fundo, desviando o olhar por um instante.
— Não estou aqui para te enganar, Laura. Só achei que alguém deveria vir.
Ela riu sem humor.
— Para quê? Para me dizer que fui idiota de esperar alguém que nunca viria?
Ele permaneceu em silêncio, e isso a irritou ainda mais.
— Você o conhece, não conhece?
Daniel apertou os lábios.
— O suficiente para saber que esse encontro não ia acontecer do jeito que você imaginava.
A raiva dela se dissolveu em algo mais denso.
— Por que você se importa?
Ele encarou a parede, onde as sombras pareciam se mover ao ritmo de algo invisível, antes de voltar os olhos para ela.
— Porque eu já estive onde você está agora.
Ela não sabia o que responder. O silêncio ficou ali entre eles, preenchendo os espaços como aquela estranha energia na parede.
Então, antes que pudesse se dar conta, ela pegou a xícara e tomou o último gole do café frio.
— Ok.
Quando a porta rangeu, ela levantou os olhos. Não era quem esperava.
O homem à sua frente hesitou por um segundo antes de caminhar até sua mesa. Alto, cabelos desalinhados, um olhar de quem sabia mais do que deveria.
— Laura?
Ela franziu a testa, tentando reorganizar os pensamentos.
— Sim... mas você não é o Rafael.
Ele sorriu de lado, puxando a cadeira como se tivesse sido convidado.
— Não. Meu nome é Daniel.
Ela piscou algumas vezes, confusa.
— Você é amigo dele?
— Digamos que não exatamente.
Laura sentiu um arrepio lhe percorrendo os braços. O garçom passou ao lado e ela pensou em dizer algo, mas se conteve.
— Então o que está fazendo aqui?
Daniel apoiou os braços sobre a mesa e encarou-a como se estivesse escolhendo palavras com cuidado.
— Rafael não vem. Ele... mudou de ideia.
O rosto dela endureceu.
— E te mandou no lugar dele?
Ele balançou a cabeça.
— Não. Eu apenas sabia que você estaria aqui.
O silêncio entre os dois foi preenchido pelo burburinho distante de conversas ao redor. Laura sentiu um aperto no peito, como se uma descarga elétrica percorresse o ambiente. Sua atenção foi atraída para a parede ao lado.
A luz refletia um jogo de sombras que parecia pulsar, vibrar de um jeito estranho. Uma energia invisível ondulava pelo tijolo frio, como se algo ali captasse o que estava acontecendo entre eles.
Ela cruzou os braços.
— O que você quer de mim?
Ele respirou fundo, desviando o olhar por um instante.
— Não estou aqui para te enganar, Laura. Só achei que alguém deveria vir.
Ela riu sem humor.
— Para quê? Para me dizer que fui idiota de esperar alguém que nunca viria?
Ele permaneceu em silêncio, e isso a irritou ainda mais.
— Você o conhece, não conhece?
Daniel apertou os lábios.
— O suficiente para saber que esse encontro não ia acontecer do jeito que você imaginava.
A raiva dela se dissolveu em algo mais denso.
— Por que você se importa?
Ele encarou a parede, onde as sombras pareciam se mover ao ritmo de algo invisível, antes de voltar os olhos para ela.
— Porque eu já estive onde você está agora.
Ela não sabia o que responder. O silêncio ficou ali entre eles, preenchendo os espaços como aquela estranha energia na parede.
Então, antes que pudesse se dar conta, ela pegou a xícara e tomou o último gole do café frio.
— Ok.
Ela empurrou a cadeira para trás, levantando-se.
— Então me diz... já que sabe tanto... o que eu faço agora?
Daniel sorriu, sem pressa.
— Escolha sair daqui sem olhar para trás.
Laura hesitou, mas depois inspirou fundo e caminhou até a porta. O frio da rua pareceu menos cortante quando ela finalmente atravessou a soleira.
Seguiu sem pressa, ouvindo o eco dos próprios passos na calçada molhada. Não precisava olhar para trás para saber que, dentro do café, as sombras ainda se moviam na parede — mas agora, sem ela, não tinham mais forma para refletir.
Daniel sorriu, sem pressa.
— Escolha sair daqui sem olhar para trás.
Laura hesitou, mas depois inspirou fundo e caminhou até a porta. O frio da rua pareceu menos cortante quando ela finalmente atravessou a soleira.
Seguiu sem pressa, ouvindo o eco dos próprios passos na calçada molhada. Não precisava olhar para trás para saber que, dentro do café, as sombras ainda se moviam na parede — mas agora, sem ela, não tinham mais forma para refletir.
Silvia Marchiori Buss

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