Cada Um Oferece ao Mundo o Que Pode...

Nem todos brilham no palco, mas há quem ilumine caminhos no bastidor. Nem todos têm voz que ecoa nos altos palanques, mas há quem sussurre conselhos capazes de mudar destinos. Cada um oferece ao mundo aquilo que condiz com seu próprio potencial — e isso não é pouco. Isso é tudo.

O erro é imaginar que grandeza está no tamanho do feito. Grandeza, na verdade, está na inteireza com que se oferece. Um abraço inteiro pode valer mais do que um discurso vazio. Uma escuta atenta pode valer mais que mil conselhos apressados.

Isso também vale para os afetos. Nos relacionamentos — sejam de amor, amizade ou família — cada um oferece o que sabe, o que aprendeu, o que consegue dar com os recursos que tem. Nem sempre é o ideal. Nem sempre é o que o outro esperava. Mas é o que, naquele momento, se pode oferecer.

E isso não significa conformar-se. Porque nada é definitivo. Tudo pode ser aprendido, revisto, reconstruído. Ninguém está preso à sua versão de ontem. Quem antes só sabia calar, pode aprender a dizer. Quem só sabia partir, pode querer ficar. Há tempo para aprender a amar melhor — e há beleza também em quem tenta.

A flor não inveja a árvore, nem o rio questiona o mar. Há beleza em cada função, em cada movimento, em cada expressão do ser. O mundo não precisa de cópias; precisa de autenticidade — e de coragem para mudar o que fere e amadurecer o que ainda está verde.

Cada um de nós é uma peça única, insubstituível, de um quebra-cabeça imenso. O mundo não se completa sem a sua parte, mesmo que você não veja isso com clareza. Porque, às vezes, é só com o tempo — ou nos olhos de outro — que enxergamos o valor daquilo que somos… ou daquilo que podemos nos tornar.

E é assim, com entrega e transformação, que seguimos: cada um dando o que tem — e, quem sabe, aprendendo a dar um pouco mais.

 

Silvia Marchiori Buss

 

 

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