Queria Ter Você Aqui

Queria tanto ter você aqui...

Não para dizer tudo que ficou engasgado, nem para tentar consertar os silêncios.
Queria apenas te ver sentado ali, na beirada da tarde, com o rosto meio sombra, meio sol, do jeito que só o tempo sabe desenhar em quem a gente ama.

Não precisaria me olhar. Nem sorrir. Bastava existir, ali, de novo — como quem não partiu, como quem ainda mora nas pequenas rotinas que você deixou.

Talvez eu ficasse quieta. Ou dissesse, entre um café e outro, que o dia amanheceu com cheiro de jasmim, como você gostava. Talvez até te perguntasse se ainda lembra daquela música que tocava toda vez que chovia — aquela que parecia dizer o que a gente nunca soube nomear.

Mas sei. Sei que o tempo não volta. Que o que foi já se desfez em partículas de saudade. Ainda assim, há dias em que o coração insiste: queria tanto ter você aqui...

Talvez só para dividir um silêncio.
Ou para ouvir sua respiração pausada, como se o mundo ainda coubesse na paz de um instante simples.
Talvez para segurar sua mão — nem que fosse por um minuto — e lembrar o corpo do que a memória já esqueceu: o calor de um toque, o abrigo de uma presença.

Mas você não vem. E eu aprendo, devagar, a conversar com sua ausência como quem cuida de uma planta invisível. Rego lembranças. Sopro palavras ao vento. Deixo a porta entreaberta, não para que volte, mas para que o amor que ficou não se perca completamente do caminho.

E assim sigo, com esse desejo manso e infinito:
queria tanto ter você aqui.

Mesmo que fosse só para ver o mundo mais bonito por um instante.
Mesmo que fosse só para lembrar que, em algum lugar, ainda existe um pedaço de mim onde você nunca partiu.

Silvia Marchiori Buss

 

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