Gosto Salgado
Não foi uma decisão. Foi um chamado. Como se teu nome ecoasse nas marés, como se cada onda sussurrasse: vem. Eu vim.
Atravessar o oceano nunca é
apenas sobre milhas náuticas, aviões ou fuso-horário. É sobre ausência que
pesa. Sobre saudades que aperta no peito como se quisesse abrir passagem à força.
Eu vim porque teu silêncio era mais alto que todos os sons ao meu redor. Porque
tua falta não deixava espaço para mais ninguém.
Atravessei o tempo, as
distâncias, os medos, as desculpas.
Enfrentei as turbulências do
céu e as do coração. Tive medo. Não nego. Medo de não te encontrar mais
inteiro, medo de que tuja não esperasses.
Mas vim. Com a roupa amassada
de lembranças, o olhar cansado de imaginar teus gestos e a alma aberta como se
estivesse chegando pela primeira vez.
Quando desci, ainda com o
gosto salgado da travessia nos lábios, soube – mesmo que o mar tivesse se posto
entre nós, ainda era o teu porto onde me reconheço.
E se amanhã outro oceano se
levantar, atravesso de novo. Quantas vezes for preciso. Porque te ver – mesmo
que em sonho – ainda é o lugar mais próximo que conheço de casa.
Silvia Marchiori Buss
Comentários
Postar um comentário