Está Tudo Bem Comigo...
Essa pergunta costuma aparecer de mansinho, quando o barulho do mundo silencia e a gente, enfim, se encontra com o próprio espelho — não o de vidro, mas aquele invisível que mora dentro da gente.
Às vezes, dizemos que sim.
Está tudo bem. Trabalhamos, pagamos contas, sorrimos em fotos, respondemos
mensagens com emojis, vamos aos aniversários e até contamos piadas. Está tudo
bem — ou deveria estar.
Mas, se a gente para de
repetir para os outros e escuta de verdade a pergunta... talvez descubra que
nem tudo está em ordem. Há cansaços que não têm nome. Saudade de algo que não
sabemos mais o que é.
Vontade de sumir por uns dias,
sem dar explicação. E uma dor que não grita, mas aperta. Uma ausência de nós
mesmos.
É difícil admitir isso. Porque
o mundo pede que sejamos fortes, produtivos, gratos. E, sim, temos muito a
agradecer. Mas isso não impede que haja um buraco no peito que nem a gratidão
preenche. Um eco de algo que ficou para trás. Um silêncio dentro de nós que
ninguém escuta.
Talvez estejamos apenas
exaustos de fingir. Fingir que não sentimos falta. Que não temos medo. Que não
estamos nos perguntando — o tempo todo — se escolhemos o caminho certo. Se não
estamos perdendo tempo. E se ainda somos nós mesmos ou só uma versão adaptada
às exigências do cotidiano.
Está tudo bem comigo? Nem
sempre.
E tudo bem não estar tudo bem.
Não precisamos ser inteiros o
tempo todo. Às vezes, viver é remendar-se. É admitir que há partes frágeis, que
há um nó na garganta, que há perguntas sem resposta. E, ainda assim, seguir.
Silvia Marchiori Buss
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