Dia de Renascer

 Às vezes, renascer não tem clarins, nem aurora espetacular.

Renascer pode ser silencioso — como quem abre os olhos depois de uma noite insone e percebe que está vivo, apesar do cansaço. Pode ser quando a dor já não morde tanto, quando conseguimos lembrar sem sangrar, quando respiramos sem o peso todo no peito.

Ninguém escolhe a hora exata de renascer. Às vezes é num café derramado, num bilhete antigo reencontrado, numa música que toca do nada e nos reconecta com algo que pensávamos ter perdido. Às vezes é quando decidimos sair de casa só para sentir o vento no rosto — e ele, inesperadamente, nos devolve um pedaço de coragem.

Renascer não exige que a ferida esteja curada. Exige apenas que aceitemos o passo seguinte. Que mesmo com medo, ainda assim, a gente vá.

Porque há dias em que o sol não entra pela janela, mas nasce dentro da gente. Devagar. Mas nasce.

E quando isso acontece, sem anúncio, sem plateia, sem ninguém para aplaudir — esse pode ser o verdadeiro dia de renascer.

Silvia Marchiori Buss

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