Tem Dias Que Não Dá Para Sorrir
Tem dias que o sol nasce, mas não chega. Fica preso num céu qualquer, acanhado, como se soubesse que não é bem-vindo. Sonia acordou assim, com o dia escondido dentro dela.
A casa inteira parecia um espelho da ausência. O café esquentava só por teimosia, a chaleira apitava como quem grita socorro, e as paredes, cúmplices silenciosas, fingiam não notar a cadeira vazia.
Era o terceiro mês desde que ele se foi. E ainda doía como se fosse ontem. Não um ontem recente, mas um ontem antigo, fundado no osso, cravado na pele já fina pela idade e pelo cansaço.
O luto de Sonia não era um véu, era um bicho. Não respeitava hora, nem reza. Chegava rosnando nas manhãs e cravava os dentes à noite. Não aceitava barganha. Roubava o sono, e nos raros momentos de vigília, deixava apenas o eco: "Por que ele e não eu?"
Ela parou de falar com o espelho. O sorriso, aquele velho conhecido, não habitava mais sua face. E se alguém perguntava se estava bem, ela respondia com silêncio — o único idioma possível para quem carrega a alma esburacada.
Os dias iam passando. Passavam mesmo sem permissão, como quem entra numa casa sem bater. E Sonia não tentava impedir. Sabia que o tempo não cura nada, apenas ensina a mancar com mais elegância.
Não havia cura no horizonte. Nem milagre. Nem lição. Havia apenas ela, sentada na varanda, com o olhar fixo na sombra da roseira que ele plantara. As flores murchavam no mesmo ritmo lento com que o amor agora dormia.
E nesse dia — como tantos outros — não havia nada pra sorrir.
A casa inteira parecia um espelho da ausência. O café esquentava só por teimosia, a chaleira apitava como quem grita socorro, e as paredes, cúmplices silenciosas, fingiam não notar a cadeira vazia.
Era o terceiro mês desde que ele se foi. E ainda doía como se fosse ontem. Não um ontem recente, mas um ontem antigo, fundado no osso, cravado na pele já fina pela idade e pelo cansaço.
O luto de Sonia não era um véu, era um bicho. Não respeitava hora, nem reza. Chegava rosnando nas manhãs e cravava os dentes à noite. Não aceitava barganha. Roubava o sono, e nos raros momentos de vigília, deixava apenas o eco: "Por que ele e não eu?"
Ela parou de falar com o espelho. O sorriso, aquele velho conhecido, não habitava mais sua face. E se alguém perguntava se estava bem, ela respondia com silêncio — o único idioma possível para quem carrega a alma esburacada.
Os dias iam passando. Passavam mesmo sem permissão, como quem entra numa casa sem bater. E Sonia não tentava impedir. Sabia que o tempo não cura nada, apenas ensina a mancar com mais elegância.
Não havia cura no horizonte. Nem milagre. Nem lição. Havia apenas ela, sentada na varanda, com o olhar fixo na sombra da roseira que ele plantara. As flores murchavam no mesmo ritmo lento com que o amor agora dormia.
E nesse dia — como tantos outros — não havia nada pra sorrir.

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