Quando a Solidão Pesa

Há momentos em que o silêncio da casa não consola, apenas ecoa a ausência. A xícara de café esfria esquecida, o tempo se arrasta lento, e o coração pesa como se carregasse o mundo inteiro. São nesses instantes que a solidão deixa de ser pausa e vira fardo. Não é mais o retiro escolhido, mas a falta que lateja. A ausência de alguém para dividir um olhar, uma lembrança, um simples “como você está hoje?” pode tornar um dia inteiro mais longo do que a eternidade.

A solidão pesa mais quando temos muito a dizer, mas ninguém para ouvir. Quando a noite chega e, em vez de descanso, traz memórias que insistem em se sentar ao nosso lado. Quando até o som da própria respiração parece alto demais, porque o que falta mesmo é outra respiração próxima, dividindo o mesmo espaço de afeto.

Mas é aí, nesse fundo do poço invisível, que a resiliência começa a se erguer. Primeiro como um sussurro — uma voz interna que ainda acredita. Um fio de coragem que nos diz: “resista mais um pouco”. Não é força heroica, é humana. Nasce da dor, sim, mas também da esperança teimosa de que dias diferentes virão. E vêm.

Às vezes, o que nos resgata não é um grande gesto, mas uma mensagem inesperada, um telefonema, um sorriso enviado de longe. A amizade, essa ponte mágica entre almas, tem o poder de aliviar o peso da solidão. Amigos não substituem ausências, mas aquecem os espaços frios deixados por elas. Eles lembram que não estamos tão sós quanto parece. Que somos amados, lembrados, importantes.

Amizade é abraço mesmo à distância, é palavra que sustenta, é presença que chega mesmo quando não pedimos. E, com ela, a solidão perde força, a dor se torna mais leve e o caminho menos árduo.

Quando a solidão pesa, resistimos. E quando resistimos, abrimos espaço para reencontrar o que nos faz seguir: o afeto, o encontro, o outro.

Silvia Marchiori Buss

 

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