Quando as Sinapses Piram
Tem dias em que a cabeça parece uma avenida em horário de pico: buzinas de pensamentos, motos cortando pela calçada da lógica e uma chuva fina de informações incessantes que não pede licença para cair.
A gente acorda, abre os olhos e já começa o bombardeio: mensagens, tarefas, prazos, dúvidas existenciais e notificações inúteis (por que mesmo aceitei aquele grupo do bairro?).
As sinapses, coitadas, tentam se virar. Pulam de um neurônio pro outro como se estivessem jogando amarelinha. Mas chega uma hora em que não dá mais. Elas piram. Dá aquele tilt. Um apagãozinho leve. Um “o que eu ia fazer mesmo?” no meio da cozinha. Um “qual é a palavra mesmo?” no meio da frase. Um “por que eu abri essa aba?” diante da tela. Curto-circuito neural.
É como se o cérebro dissesse: “Chega. Eu preciso de férias. Ou, pelo menos, de um chá e um silêncio decente.”
A verdade é que estamos vivendo um tempo de excessos. De tudo. Informação, expectativa, velocidade. O mundo exige atualização constante — mas o cérebro, esse velhinho sábio, gosta mesmo é de pausa, digestão lenta, cochilo no sofá.
E é por isso que escrever — ou ler, ou caminhar devagar, ou olhar pro céu sem compromisso — virou um ato de resistência. Um jeitinho de dizer para o universo: “Calma, que aqui dentro tem um ser humano, não uma máquina multitarefa.”
Quando as sinapses entram em curto, talvez o melhor não seja tentar reiniciá-las à força, mas deixá-las respirar. Respirar mesmo. Profundamente. Elas agradecem.
E então, no meio do caos, surge um verso.
Um silêncio.
Um lampejo azul na noite dos pensamentos.
E as sinapses, enfim, dançam —
lentas, leves, livres.
Silvia Marchiori Buss
A gente acorda, abre os olhos e já começa o bombardeio: mensagens, tarefas, prazos, dúvidas existenciais e notificações inúteis (por que mesmo aceitei aquele grupo do bairro?).
As sinapses, coitadas, tentam se virar. Pulam de um neurônio pro outro como se estivessem jogando amarelinha. Mas chega uma hora em que não dá mais. Elas piram. Dá aquele tilt. Um apagãozinho leve. Um “o que eu ia fazer mesmo?” no meio da cozinha. Um “qual é a palavra mesmo?” no meio da frase. Um “por que eu abri essa aba?” diante da tela. Curto-circuito neural.
É como se o cérebro dissesse: “Chega. Eu preciso de férias. Ou, pelo menos, de um chá e um silêncio decente.”
A verdade é que estamos vivendo um tempo de excessos. De tudo. Informação, expectativa, velocidade. O mundo exige atualização constante — mas o cérebro, esse velhinho sábio, gosta mesmo é de pausa, digestão lenta, cochilo no sofá.
E é por isso que escrever — ou ler, ou caminhar devagar, ou olhar pro céu sem compromisso — virou um ato de resistência. Um jeitinho de dizer para o universo: “Calma, que aqui dentro tem um ser humano, não uma máquina multitarefa.”
Quando as sinapses entram em curto, talvez o melhor não seja tentar reiniciá-las à força, mas deixá-las respirar. Respirar mesmo. Profundamente. Elas agradecem.
E então, no meio do caos, surge um verso.
Um silêncio.
Um lampejo azul na noite dos pensamentos.
E as sinapses, enfim, dançam —
lentas, leves, livres.
Silvia Marchiori Buss
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