O Que Fazer Com a Saudade

 Dia desses, eu perguntei à minha neta de 13 anos se ela sentia saudade do vovô. Ela me olhou com aquele jeito de quem já entendeu mais da vida do que aparenta e respondeu, sem hesitar:

— É claro, vovó.
Fiquei em silêncio por um instante, talvez tentando equilibrar a minha saudade com a dela. Então perguntei, como quem tenta escutar a si mesmo pela boca do outro:
— E o que tu fazes com essa saudade?
Ela pensou um pouco, depois disse algo simples, mas que me atravessou como uma flecha serena:
— Às vezes, eu abraço a almofada da cadeira preferida dele. Às vezes, eu fico olhando as fotos. Outras vezes, eu só a deixo ficar comigo, sabe... deixar a saudade ficar. Sem querer curá-la. Só deixar que ela exista — como quem aceita a visita de um velho conhecido que sempre bate à porta sem avisar.

E é isso que talvez nos falte, às vezes. Não saber o que fazer com a saudade nos angustia, como se fosse preciso sempre resolver, dar um destino, encontrar um jeito de empacotar e guardar.

Mas a saudade não se encaixota. Ela transborda, grita mudo, sussurra em cheiros e músicas.

Talvez o que a gente precise aprender — com as crianças, com os jovens, com os que ainda a sentem sem censura — é deixar a saudade ser o que ela é: presença de quem partiu, mas deixou lugar cativo dentro da gente.

Saudade não é só ausência. É também lembrança, é vínculo que o tempo não desfaz. É a maneira que o amor encontrou de continuar existindo, mesmo depois da despedida.

Então, o que se faz com a saudade?
Abraça, olha e deixa ficar.

Silvia Marchiori Buss

 

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