Nas Ondas do Mar
O barco deslizava suavemente sobre as águas, como se soubesse que aquele momento era sagrado. As velas ondulavam sob a carícia do vento brando, e o céu, tingido de um azul infinito, se fundia ao mar em um abraço sem fim. O sol, generoso, derramava seus raios dourados sobre a superfície ondulante, criando reflexos que mais pareciam estrelas dançando sobre as ondas. O mundo ao meu redor parecia suspenso no tempo, como se até a própria natureza compreendesse a solenidade do instante.
Segurava nas mãos a urna com as cinzas dele—meu amor, minha alma gêmea, a bússola que sempre me guiou. O peso não estava no objeto em si, mas na infinidade de lembranças que ele continha. Meu peito estava apertado, não pelo vento suave que tocava minha pele, mas pela ausência dele ao meu lado. Como era possível que o mundo continuasse a girar sem ele? E, no entanto, ali estava eu, flutuando sobre aquele oceano sem fim, carregando a essência de quem amei por toda uma vida.
A brisa trazia o cheiro salgado do mar, misturando-se ao perfume das nossas lembranças—os dias de sol sobre a areia quente, as noites estreladas ouvindo o murmúrio das ondas, os sorrisos roubados sob a luz prateada da lua. Fechei os olhos por um instante e, por um breve momento, quase pude sentir sua mão entrelaçada à minha, sua risada ecoando no sopro do vento.
O barco parou em um ponto que me pareceu o mais sereno daquele oceano sem limites. As águas pareciam respirar em compasso com meu coração, e o silêncio que reinava ali era quase uma prece, interrompido apenas pelo marulhar delicado das ondas contra o casco. Era ali. Ali ele encontraria sua última morada, ou talvez, seu novo lar.
Com mãos trêmulas, abri a tampa da urna. O sol fez brilhar as cinzas, como se cada partícula contivesse um fragmento de luz. Hesitei. Como dizer adeus a quem sempre foi parte de mim? Como soltar ao vento um amor que se entranhou tão profundamente na minha alma?
Respirei fundo e, com a delicadeza de quem segura um último abraço, deixei que as cinzas fossem acolhidas pelo mar. Elas se espalharam como um véu prateado sobre as ondas, flutuando suavemente antes de se dissolverem na imensidão azul. O sol, como se quisesse celebrar aquela despedida, refletiu nelas em um brilho etéreo, um último sussurro de luz antes que ele se tornasse parte do oceano.
As lágrimas desceram pelo meu rosto, mas não eram apenas de tristeza. Eram de amor, de gratidão, de uma certeza silenciosa de que nada verdadeiramente se perde quando se ama assim. Ele estava ali agora—livre, eterno, dançando com as ondas, brilhando sob o sol. E, de alguma forma, eu sabia que ele nunca partiria de verdade. Sempre estaria no sussurro das águas, no abraço do vento, na luz dourada que brincava sobre o mar.
Fechei os olhos e deixei que o vento levasse minhas palavras até ele, como se fossem um último sussurro de amor:
— Você sempre será parte de mim.
O barco começou a se mover novamente, afastando-se lentamente. Olhei para trás uma última vez e vi o mar, calmo e sereno, guardando meu amor para sempre. Sobre as ondas, ele agora repousava, mas eu sabia—um dia, de alguma forma, nos reencontraríamos.
Segurava nas mãos a urna com as cinzas dele—meu amor, minha alma gêmea, a bússola que sempre me guiou. O peso não estava no objeto em si, mas na infinidade de lembranças que ele continha. Meu peito estava apertado, não pelo vento suave que tocava minha pele, mas pela ausência dele ao meu lado. Como era possível que o mundo continuasse a girar sem ele? E, no entanto, ali estava eu, flutuando sobre aquele oceano sem fim, carregando a essência de quem amei por toda uma vida.
A brisa trazia o cheiro salgado do mar, misturando-se ao perfume das nossas lembranças—os dias de sol sobre a areia quente, as noites estreladas ouvindo o murmúrio das ondas, os sorrisos roubados sob a luz prateada da lua. Fechei os olhos por um instante e, por um breve momento, quase pude sentir sua mão entrelaçada à minha, sua risada ecoando no sopro do vento.
O barco parou em um ponto que me pareceu o mais sereno daquele oceano sem limites. As águas pareciam respirar em compasso com meu coração, e o silêncio que reinava ali era quase uma prece, interrompido apenas pelo marulhar delicado das ondas contra o casco. Era ali. Ali ele encontraria sua última morada, ou talvez, seu novo lar.
Com mãos trêmulas, abri a tampa da urna. O sol fez brilhar as cinzas, como se cada partícula contivesse um fragmento de luz. Hesitei. Como dizer adeus a quem sempre foi parte de mim? Como soltar ao vento um amor que se entranhou tão profundamente na minha alma?
Respirei fundo e, com a delicadeza de quem segura um último abraço, deixei que as cinzas fossem acolhidas pelo mar. Elas se espalharam como um véu prateado sobre as ondas, flutuando suavemente antes de se dissolverem na imensidão azul. O sol, como se quisesse celebrar aquela despedida, refletiu nelas em um brilho etéreo, um último sussurro de luz antes que ele se tornasse parte do oceano.
As lágrimas desceram pelo meu rosto, mas não eram apenas de tristeza. Eram de amor, de gratidão, de uma certeza silenciosa de que nada verdadeiramente se perde quando se ama assim. Ele estava ali agora—livre, eterno, dançando com as ondas, brilhando sob o sol. E, de alguma forma, eu sabia que ele nunca partiria de verdade. Sempre estaria no sussurro das águas, no abraço do vento, na luz dourada que brincava sobre o mar.
Fechei os olhos e deixei que o vento levasse minhas palavras até ele, como se fossem um último sussurro de amor:
— Você sempre será parte de mim.
O barco começou a se mover novamente, afastando-se lentamente. Olhei para trás uma última vez e vi o mar, calmo e sereno, guardando meu amor para sempre. Sobre as ondas, ele agora repousava, mas eu sabia—um dia, de alguma forma, nos reencontraríamos.

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