Esperança No Tempo
O tempo não me quer mais. Ele segue, impiedoso, carregando os dias nos ombros, deixando poeira onde antes havia promessas. E eu...eu fiquei.
Fiquei como quem teve a alma
amputada, como que perdeu um membro invisível e sente a dor fantasma de um amor
que ainda pulsa, mesmo ausente.
Estou parada. Ainda aqui.
Esperando. Esperando que, de alguma forma – mesmo que seja contra todas as
lógicas do mundo – você volte. Q eu volte no vento que atravessa a janela, no
cheiro do café que insiste em ferver de manhã, no sonho que não me deixa dormir
em paz.
Que volte no silêncio. Ou no
barulho que só você saberia decifrar.
O tempo corre, mas eu não. Eu me
recuso a acompanha-lo enquanto você não estiver comigo. Porque há amores que o
tempo não apaga, só tenta esconder. E há esperas que não são fraqueza, são fidelidade
àquilo que foi – e talvez, quem sabe, ainda possa ser.
Se um dia você voltar, vai me
encontrar aqui: com a dor nos olhos e o coração inteiro, apesar das rachaduras.
Porque mesmo amputada, sigo inteira na esperança de você.
Silvia Marchiori Buss
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