Encontro de Ausências
Espero que nos encontremos. Não num reencontro planejado, nem anunciado com hora marcada ou mesa reservada. Espero que nos encontremos assim, de repente, num espaço que não pede explicação.
Eu te contaria, não com lagrimas, mas com o silêncio carregado de tudo o que tua ausência fez brotar em mim. Não falaria da dor como quem pede consolo, mas como quem segura entre os dedos um fio invisível que nunca arrebentou. Diria das manhãs que aprendi a atravessar sozinha, das noites que desenharam teu contorno no escuro, da cadeira que não mais range, do café que esfria sem urgência.
E tu, talvez, me contasses da tua leveza, essa que eu tanto desejei que fosse tua depois da partida. Quem sabe me dissesses que o tempo, do lado daí, não se arrasta como o daqui. Que a saudade aí não fere, só pulsa. Que o amor, não morre nem se apaga, apenas muda de estado.
Não te pedirei explicações, nem tu me cobrarias por ter seguido adiante com um passo manco. Apenas sentaríamos – tu e eu – como tantas vezes, sem precisar dizer tudo.
Bastaria o gesto. Bastaria o olho no olho.
E talvez, nesse breve instante em que o universo abrisse uma fresta entre o teu mundo e o meu, eu te dissesse baixinho:
- Agora entendo.
E então, antes que tudo voltasse ao silêncio, eu te daria um sorriso curto, daqueles que guardam o mundo inteiro dentro.
E tu entenderias – como sempre entendeste – mesmo sem que eu dissesse palavra alguma.
Silvia Marchiori Buss
Eu te contaria, não com lagrimas, mas com o silêncio carregado de tudo o que tua ausência fez brotar em mim. Não falaria da dor como quem pede consolo, mas como quem segura entre os dedos um fio invisível que nunca arrebentou. Diria das manhãs que aprendi a atravessar sozinha, das noites que desenharam teu contorno no escuro, da cadeira que não mais range, do café que esfria sem urgência.
E tu, talvez, me contasses da tua leveza, essa que eu tanto desejei que fosse tua depois da partida. Quem sabe me dissesses que o tempo, do lado daí, não se arrasta como o daqui. Que a saudade aí não fere, só pulsa. Que o amor, não morre nem se apaga, apenas muda de estado.
Não te pedirei explicações, nem tu me cobrarias por ter seguido adiante com um passo manco. Apenas sentaríamos – tu e eu – como tantas vezes, sem precisar dizer tudo.
Bastaria o gesto. Bastaria o olho no olho.
E talvez, nesse breve instante em que o universo abrisse uma fresta entre o teu mundo e o meu, eu te dissesse baixinho:
- Agora entendo.
E então, antes que tudo voltasse ao silêncio, eu te daria um sorriso curto, daqueles que guardam o mundo inteiro dentro.
E tu entenderias – como sempre entendeste – mesmo sem que eu dissesse palavra alguma.
Silvia Marchiori Buss
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