Tempo: Entre a Realidade e a Imaginação
Vivemos em tempos de cobrança. A todo instante, somos pressionados por expectativas que nos cercam, seja no trabalho, na vida pessoal ou nas redes sociais. A tecnologia nos deu voz, permitiu que opiniões circulassem livremente, mas também nos expôs a um constante tribunal da opinião alheia. Diante desse cenário, muitas vezes nos recolhemos em nossa solidão, encontrando nas redes a ilusão de companhia, um consolo momentâneo para a inquietação da alma.
O tempo, sempre ele, parece ser a chave para discernirmos
entre o que é medo e o que é apenas ansiedade. Mas o tempo que vivemos nunca é
um tempo real. Ele se esvai entre promessas e incertezas, entre esperanças e
desilusões. Não podemos tocá-lo, apenas senti-lo passar. E, no entanto,
dependemos dele para compreender se nossas angústias são justificadas ou apenas
frutos da nossa imaginação.
Nem tudo o que pensamos se torna fato verdadeiro. Nossa
percepção do mundo é influenciada por emoções, crenças e experiências pessoais.
O que hoje nos parece uma ameaça, amanhã pode revelar-se uma inquietação
infundada. O tempo tem essa capacidade de mostrar o que realmente importa, de
separar o essencial do passageiro, de expor a verdade escondida entre camadas
de medo e ilusão.
Contudo, nosso tempo é volátil. Ele nunca será real porque
sempre será subjetivo. O tempo de um não é o tempo do outro. O que para alguns
parece uma eternidade, para outros passa num instante. A esperança pode alongar
os dias, a tristeza pode congelá-los, e a alegria pode fazer com que
desapareçam num piscar de olhos. Assim, vivemos presos a uma percepção do tempo
que é, em grande parte, moldada pela nossa mente.
Nessa era de informação constante, onde o presente é
registrado, compartilhado e debatido em segundos, a realidade se confunde ainda
mais com a nossa imaginação. As redes sociais nos apresentam uma versão editada
do mundo, onde vidas são exibidas em fragmentos meticulosamente escolhidos. A
percepção do tempo se distorce ainda mais: tudo parece rápido, mas ao mesmo
tempo, a angústia da comparação pode tornar a espera por realizações
insuportável.
O que nos resta, então? Talvez a aceitação de que o tempo
nunca será nosso, de que ele é um fluxo que não podemos controlar. O desafio
está em aprender a viver dentro dessa incerteza, a reconhecer que nem tudo o
que sentimos é real, mas que tampouco deve ser ignorado. Afinal, mesmo que o
tempo seja uma construção da nossa mente, é nele que existimos, crescemos e nos
transformamos.
Silvia Marchiori Buss
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