Te Amo, Amor

— Amor, você quer...?

— Quer o quê...?
— Ora, o quê...?
— Pode até ser...
— Como assim...? Pode ser...?
— E você, quer...?
— Eu perguntei primeiro, Clarice Maria...
— Aham, aham...
— Como assim, "aham, aham"? Tá de deboche pra cima de mim...?
— Muito papo, José Rodolfo! Acho que você é quem não quer!
— Como eu não quero, se fui eu quem perguntou primeiro?
— Tá bem, José Rodolfo, você perguntou primeiro. E daí...? Vai criar caso por tão pouco...?
— Como assim, "tão pouco", Clarice Maria? Estamos falando da nossa vida conjugal! Nossa conversa vai terminar assim, nesse vai-não-vai...?
— José Rodolfo, não enrola! Se você quisesse mesmo, chegaria.
— Não desconversa, Clarice Maria! Confessa que não queria! Que iria estragar o cabelo com bobes, esse monte de creme... anti-age, anti-aquilo...
— Se eu chegasse? Até parece...
— Tá bom, José Rodolfo, você ganhou. Agora apague a luz e vamos dormir!
— Te amo, amor.
— Também te amo, amor.


Silvia Marchiori Buss

 

 

Silvia Marchiori Buss

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Energia na Parede

Navegando na Ausência

O Silêncio da Professora