Sonhos na Maturidade: O que fazer quando não se realizam..

Os sonhos nos mantêm vivos. São eles que nos impulsionam, nos desafiam, nos fazem levantar a cada manhã com um propósito. Lutamos para concretizá-los, muitas vezes contra o tempo, contra as dificuldades da vida, contra as limitações que o próprio corpo nos impõe. Mas, inevitavelmente, chega o momento em que percebemos que alguns sonhos jamais se tornarão realidade. E então, o que fazer com eles?

A sociedade, em sua cegueira crônica, parece não entender que dentro de cabeças maduras ainda existem desejos, projetos, ânsias de realização. Existe uma crença silenciosa de que, com o passar dos anos, deveríamos nos conformar com a calmaria da velhice, aceitar a quietude como um prêmio de consolação. Mas há aqueles que recusam essa imposição e seguem vibrando na frequência da juventude, alimentando a alma com sonhos que talvez nunca venham a se concretizar, mas que, mesmo assim, os fazem sentir vivos.

O que acontece, então, quando esses sonhos encontram barreiras intransponíveis? Alguns escolhem empurrá-los para debaixo do tapete, fingindo que nunca existiram. Outros os transformam em nostalgia, vivendo de lembranças do que poderia ter sido. Mas há aqueles que insistem em sonhar, mesmo quando as circunstâncias não favorecem. E aqui surge um dilema humano profundo: será que adoecemos mais ao abrir mão dos sonhos ou ao insistirmos neles sabendo que talvez nunca os alcancemos?

Doenças autoimunes, patologias do envelhecimento, dores silenciosas que se instalam sem explicação... Não seriam, muitas vezes, reflexos dessa frustração internalizada, dessa desistência imposta, dessa negação de um desejo legítimo? O corpo fala, responde às emoções que reprimimos, às batalhas que desistimos de lutar. E se, ao invés de sufocar nossos sonhos, aprendêssemos a transformá-los? A reinventá-los?

Talvez o segredo não esteja em desistir, mas em ressignificar. Sonhar diferente, dentro do possível. Encontrar alegria no pequeno, no que ainda está ao alcance das mãos. Porque, no fim, o que nos envelhece não é o tempo, mas a falta de motivos para continuar. E se a vida nos puxa o tapete, que aprendamos a dançar sobre ele, mesmo que seja no improviso.

Sonhos não realizados doem. Mas pior do que não realizá-los é esquecer que eles existem. Porque enquanto houver sonho, há vida. E enquanto houver vida, ainda há tempo de sonhar.

 

Silvia Marchiori Buss

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