Sem Correntes nem Amarras

A vida não foi feita para ser uma cela, nem uma gaiola dourada. No fundo, sabemos que nascemos para o movimento, para o vento no rosto, para os passos livres por caminhos escolhidos sem medo. No entanto, muitas vezes nos deixamos acorrentar: por expectativas alheias, por padrões impostos, por regras que não fazem sentido para o que pulsa dentro de nós.

A liberdade verdadeira não é apenas a ausência de grades visíveis. Ela mora na coragem de ser quem se é, de dizer "sim" ao que faz sentido e "não" ao que nos aperta a alma. Está na leveza de desapegar do que não soma, de largar os pesos que nos ensinaram a carregar sem questionar.

Viver sem amarras significa permitir-se mudar de ideia, errar e recomeçar. É saber que não há um único caminho certo, mas muitos que se entrelaçam, que se descobrem à medida que seguimos adiante. É não se prender ao passado nem temer o futuro, mas mergulhar no presente com toda a intensidade que ele merece.

A liberdade está na escolha de ser autêntico, de amar sem posse, de sonhar sem medo. Está no riso espontâneo, na lágrima que corre sem culpa, na palavra dita sem receio.

Que possamos soltar os nós, abrir as portas que nos prendem, deixar as janelas escancaradas para que a vida entre e saia sem restrições. Porque existir não deve ser um fardo, mas um voo.

Sem correntes, sem amarras. Apenas vida.

 

Silvia Marchiori Buss

 

 

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