O Sol e a Lua: Um Amor que Vive nas Entrelinhas do Tempo

 Diz a lenda que, desde o princípio dos tempos, o Sol e a Lua se amam. Um amor tão imenso que moldou o próprio ritmo do mundo, mas que, por um capricho do destino, nunca pode se tocar.

O Sol nasce cedo, abrindo o céu em tons de ouro, espalhando luz e calor. Ele olha para o horizonte, esperando um vislumbre de sua amada Lua. Mas ela, vestida de prata, só acorda quando ele já se despediu. Atravessam o mesmo céu, percorrem os mesmos caminhos, mas sempre à distância, como versos de um poema que nunca rimam.

E ainda assim, amam-se.

Ele aquece os dias dela, mesmo sem poder senti-la. Ela ilumina suas noites, mesmo quando ele já se foi. Um amor que não precisa do toque para existir, que sobrevive na certeza de que um pertence ao outro, ainda que seus destinos nunca se entrelacem completamente.

Mas há momentos raros – aqueles instantes mágicos em que o mundo segura a respiração. São os eclipses, quando Sol e Lua finalmente se encontram. Por poucos segundos, seus corpos se alinham, sua luz se funde, e o universo inteiro testemunha a grandeza de um amor que desafia o tempo.

Depois, voltam ao seu eterno jogo de espera, sabendo que, mesmo distantes, vivem um amor que nenhuma distância apaga. Porque o amor verdadeiro não se mede em presença, mas na certeza de que, em algum lugar do céu, há alguém que sempre pertence a nós.

E assim seguem, o Sol e a Lua, provando que os grandes amores nem sempre se tocam – mas nunca deixam de existir.

 

Silvia Marchiori Buss

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