O Sentido da Existência: Memória, Legado e Efemeridade
Vivemos sabendo que um dia deixaremos de existir. Esse é o paradoxo da condição humana: construímos, lutamos, amamos e sofremos, mesmo sabendo que tudo, inevitavelmente, terá um fim. Quando olhamos para a brevidade da vida e a fugacidade da memória, surge a pergunta que atormenta filósofos há séculos: qual o sentido de tudo isso?
Se nossa lembrança se apaga poucas gerações depois de
partirmos, por que nos esforçamos tanto? Por que nos angustiamos com problemas
diários, buscamos conquistas e nutrimos sonhos? Para que tanto trabalho e
cansaço se, no final, seremos apenas poeira esquecida pelo tempo?
A resposta talvez não esteja na permanência, mas na
experiência. O valor da vida não se mede pela duração de nossa lembrança nos
outros, mas pela intensidade com que a vivemos enquanto aqui estamos.
A história nos ensina que pouquíssimos nomes resistem ao
tempo. A maioria de nós não será lembrada dentro de dois séculos, assim como
nós mesmos esquecemos os rostos e as vozes de antepassados distantes. Mas isso
significa que suas vidas foram vazias? De modo algum. Eles amaram, riram,
choraram e sentiram o mesmo que sentimos hoje. Foram essenciais para aqueles
que viveram ao seu lado, assim como somos para os que nos cercam agora.
A existência não é sobre a imortalidade da memória, mas
sobre a plenitude do instante. O abraço que damos em um filho, o olhar de
carinho trocado com um amigo, a alegria de ver uma árvore florescer na
primavera — são nesses momentos que a vida ganha sentido.
Além disso, nossa passagem deixa marcas invisíveis. Cada ato
de bondade que praticamos reverbera em ondas que ultrapassam o tempo. Uma
palavra de conforto pode transformar o dia de alguém, que por sua vez será mais
gentil com outra pessoa, e assim sucessivamente. Nossa essência se espalha em
gestos, valores e sentimentos. Somos lembrados não pelo nome gravado em pedra,
mas pela influência sutil que deixamos no mundo.
E há ainda outro aspecto: o simples fato de existir já é
extraordinário. Somos a consciência do universo refletida em si mesma. Cada um
de nós é um milagre improvável em meio ao caos do cosmos. Estar vivo, sentir,
amar e criar são, por si só, justificativas para essa jornada.
Portanto, se um dia nossos nomes se apagarem, que
importância isso tem? Enquanto estivermos aqui, que possamos viver com
intensidade, espalhar amor e deixar no mundo um sopro de nossa alma. Porque, no
final, o sentido da vida não está na eternidade da lembrança, mas na
profundidade do que sentimos e compartilhamos.
Silvia Marchiori Buss
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