A Vida em Cena
A vida é uma peça de teatro, mas nem sempre sabemos qual papel estamos representando. No início, talvez nos coloquem como protagonistas, sob os holofotes, carregando a história nas costas. Outras vezes, somos coadjuvantes, circulando nos bastidores, oferecendo falas que sustentam o enredo sem chamar atenção demais. E há momentos em que nos tornamos meros espectadores, assistindo ao desenrolar da trama como se ela não nos pertencesse.
O problema é que a peça não tem roteiro fixo. A cada ato, os
papéis mudam, os cenários se transformam, e a gente, sem perceber, pode se
perder na confusão. Um dia, entramos no palco com a certeza de que dominamos o
papel principal e, no outro, tropeçamos na cena, esquecemos a fala, olhamos
para os lados esperando alguma indicação de que estamos no lugar certo.
Há também aqueles momentos em que saímos de cena por um
tempo. Às vezes, por escolha própria; outras, porque a vida simplesmente nos
empurra para fora do palco. Ficamos ali, na plateia, vendo os outros atuarem,
tentando entender se ainda há espaço para nós nessa história que não para de
acontecer.
E talvez seja exatamente isso que nos falta: aceitar que não
há um papel fixo, que não precisamos saber sempre onde nos encaixamos. Às
vezes, a melhor forma de reencontrar o próprio papel é bagunçar um pouco os
ensaios, sair de cena sem aviso, espiar tudo de fora, mudar o tom da voz,
improvisar um pouco mais. A peça continua, e, no final, sempre há espaço para
voltar ao palco quando for a hora certa.
Silvia Marchiori Buss
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