A Última Estação

As estações do ano desenham o ciclo da vida com a precisão de um relógio natural. A primavera explode em cores e renascimentos, o verão resplandece em plenitude e vigor, o outono sussurra a transitoriedade em tons dourados, e o inverno nos convida ao recolhimento, à introspecção e ao silêncio.

Assim como a natureza, também nós atravessamos nossas próprias estações. Na infância, somos primavera – brotos de esperança e descobertas. Na juventude, queimamos como o verão, intensos, audaciosos, ávidos pela luz. O outono chega com a maturidade, quando aprendemos a valorizar cada folha que cai, cada ciclo que se fecha. E então, o inverno se aproxima, trazendo consigo a última estação – aquela em que nos permitimos o descanso, o remanso e a contemplação do que ficou para trás.

Mas o inverno da vida não precisa ser apenas um adeus. Pode ser um tempo de memória, de aconchego, de histórias contadas à beira do fogo, de gestos que deixam marcas no caminho para quem ainda virá. Afinal, a última estação não é um fim abrupto, mas um convite à delicadeza de existir até o último instante, como a última folha que dança no vento antes de tocar o chão.

E quando, enfim, nossa estação final chegar, que possamos partir como um dia que se despede no horizonte – em paz com o tempo vivido, gratos pelas primaveras, pelos verões intensos e pelos outonos de colheita. Porque, no grande ciclo da existência, cada estação deixa sua beleza, e nenhuma é em vão.

 

Silvia Marchiori Buss

 

 

 

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